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CRÍTICA: MORTE E VIDA MADALENA

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Grávida de oito meses e ainda lidando com a morte do pai, Madalena precisa manter de pé a ficção científica B escrita por ele, mesmo com pouco dinheiro, uma equipe à beira do desgaste e, para completar, o desaparecimento do diretor no meio da produção.




É nesse acúmulo quase absurdo de problemas que Guto Parente encontra o caminho para olhar o cinema menos como território de inspiração e mais como trabalho, feito por gente cansada, acumulando funções e tentando entregar alguma coisa antes que tudo desmorone.

Morte e Vida Madalena transforma os bastidores dessa produção precária no próprio centro da comédia. O contraste entre os figurinos metálicos, a artificialidade assumida do filme dentro do filme e as condições frágeis de quem tenta realizá-lo rende uma boa ideia recorrente: aquilo que chega pronto ao espectador depende de uma quantidade enorme de improvisos, disputas e pequenos desastres que normalmente permanecem fora do quadro.




A precariedade não ganha um verniz romântico, porque criar com pouco também significa trabalhar sem estrutura, conviver com insegurança e descobrir até onde uma equipe aguenta continuar.

O problema é que a desordem retratada começa a contaminar a própria construção do longa. Entre luto, gravidez, relações familiares, farsa, ficção científica e conflitos de set, Parente acumula registros com mais disposição do que controle, e nem toda situação encontra o tempo necessário para virar comédia. A repetição de contratempos perde impacto, algumas piadas parecem esticadas além do necessário e a montagem nem sempre consegue separar caos deliberado de simples dispersão.



Noá Bonoba mantém Madalena como ponto de equilíbrio possível, carregando cansaço, responsabilidade profissional e uma perda que ela praticamente não tem tempo de processar. A diversidade ao redor dela também aparece com naturalidade, integrada àquela comunidade de trabalho sem precisar virar explicação ou discurso paralelo.

Existe uma observação interessante sobre quem realmente mantém um filme vivo quando dinheiro, autoridade e planejamento começam a desaparecer. Só que a insistência daquela equipe é mais interessante como ideia do que como experiência cinematográfica contínua.

Quando quase tudo indica que seria mais simples interromper a produção, eles seguem tentando colocar a próxima imagem de pé. O longa, infelizmente, nem sempre consegue fazer o mesmo com as próprias ideias¨.




Estreia nesta quinta-feira, 17 de setembro, MORTE E VIDA MADALENA, novo longa-metragem do diretor cearense Guto Parente. Com distribuição da Embaúba Filmes, o filme entra em cartaz em Aracaju, Balneário Camboriú, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Palmas, Penedo, Poços de Caldas, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória.

O longa acompanha Madalena, uma produtora de cinema que precisa lidar, ao mesmo tempo, com a morte recente do pai, o desaparecimento do diretor de seu próximo projeto às vésperas do início das filmagens e uma gravidez de oito meses. Em meio a uma sucessão de imprevistos, ela tenta manter a produção de pé e fazer o filme acontecer.




Nas palavras de Samuel Fuller, “o cinema é um campo de batalha”. Nas ideias de Guto Parente, esse filme de guerra pode ser uma comédia. A partir dos percalços de uma produção cinematográfica, MORTE E VIDA MADALENA constrói seu humor a partir do caos, da precariedade e das soluções improvisadas de quem precisa encontrar uma saída para cada novo problema.

Por trás da comédia, está também uma relação profundamente afetiva com o próprio ofício. “O cinema é um lugar de aprendizado e de crescimento espiritual, intelectual, de transcendência. Na minha relação, é quase como uma religião”, afirma Parente, que dirigiu 18 filmes, entre longas e curtas, ao longo de mais de 20 anos de carreira.




A protagonista é interpretada por Noá Bonoba, artista de múltiplas frentes que atua como atriz, roteirista, realizadora, preparadora de elenco, dramaturga, curadora e pesquisadora. Para ela, a construção do humor passa justamente pelo compromisso da personagem com aquilo que está vivendo. “O humor vem da crença no drama total da personagem. É preciso acreditar nesse drama para que a situação seja risível. Quanto mais você acredita naquela situação, que é completamente absurda e real, mais engraçado fica”, afirma.

Entre luto e nascimento, precariedade e invenção, MORTE E VIDA MADALENA encontra graça naquilo que poderia dar errado. Ao transformar os bastidores da realização cinematográfica em matéria de comédia, o filme celebra a persistência de quem, apesar das dificuldades, continua fazendo cinema e não desiste daquilo que ama.




SINOPSE

Madalena é uma produtora de cinema, grávida de 8 meses, prestes a rodar um filme de ficção científica B escrito por seu pai recém falecido. Quando Davi, o diretor do filme e seu ex-marido, desaparece misteriosamente do set, Madalena precisa fazer das tripas coração para conseguir terminar o filme antes do bebê nascer.

PRÊMIOS RECEBIDOS

Prêmio Ciné+ - FidMarseille 2025 (França)
Prêmio da Crítica de Melhor Longa - Festival de Brasília 2025 (Brasil)
Prêmio Especial do Júri, Prisma Queer - Mostra de São Paulo 2025 (Brasil)
Melhor Longa - Júri Jovem – Panorama Coisa da Bahia 2026 (Brasil)
Melhor Longa - Júri das Associações – Panorama Coisa da Bahia 2026 (Brasil)
Melhor Filme - Júri Oficial – Curta-Se 2025 (Brasil)
Melhor Filme - Júri Popular – Curta-Se 2025 (Brasil)
Melhor Atriz (Noá Bonoba) - Curta-Se 2025 (Brasil)
Melhor Som (Lucas Coelho) - Curta-Se 2025 (Brasil)
Melhor Trilha Sonora (Paulo Gama) - Curta-Se 2025 (Brasil)
Melhor Roteiro (Guto Parente) - MixBrasil 2025 (Brasil)
Melhor Direção (Guto Parente) - MixBrasil 2025 (Brasil)
Melhor Direção de Arte (Taís Augusto) - XX Comunicurtas 2025 (Brasil)
Menção Especial Atriz (Noá Bonoba) - XX Comunicurtas 2025 (Brasil)

PRINCIPAIS FESTIVAIS

FidMarseille 2025 (França)
Festival de Brasília 2025 (Brasil)
Olhar do Norte 2025 (Brasil)
QueerLisboa 2025 (Portugal)
Cine Ceará 2025 - Filme de Encerramento (Brasil)
Cine BH International Film Festival 2025 (Brasil)
Revoada de Cinema 2025 - Filme de Abertura (Brasil)
FicValdivia 2025 - Filme de Encerramento (Chile)
Mostra de São Paulo 2025 (Brasil)
Janela do Recife 2025 (Brasil)
Festival Iberoamericano de Sergipe - Curta-Se 2025 (Brasil)
Lumen IFF 2025 - Filme de Abertura (Brasil)

ELENCO

Noá Bonoba | Madalena
Nataly Rocha | Natasha
Tavinho Teixeira | Oswaldo / Zion
Marcus Curvelo | Davi
David Santos | Nonato
Honório Felix | Gil
Linga Acácio | Kátia A. Fire
Jenniffer Joingley | Jéssica
Rodrigo Fernandes | Rodrigo / Rodrygsson
Souma | Rashelle / A Santa
Tavares Neto | Tavares / Devian
Tuan Fernandes | Gilmar (jovem)
Armando Praça | Policial
Lui Fontelene | Policial jovem
Raul Lôbo | Madalena (criança)
Carlos Francisco | Gilmar / Antonio (voz)

FICHA TÉCNICA

Direção e roteiro: Guto Parente
Produção: Ticiana Augusto Lima
Produção executiva: Caroline Louise, Ticiana Augusto Lima
Direção de fotografia: Ivo Lopes Araújo
Direção de arte: Taís Augusto
Figurino: Thaís de Campos
Maquiagem: Elen Barbosa
Assistência de direção: Breno Baptista
Som direto e edição de som: Lucas Coelho
Montagem: Guto Parente & Irmãs Augusto Lima
Música original e mixagem: Paulo Gama
Produção: Tardo Filmes
Coprodução: Canal Brasil, C.R.I.M.
Distribuição: Embaúba Filmes

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