- Cinco Anos, Quatro Meses, de Esteban Hoyos García e Juan Miguel Gelacio, levou o Troféu Bandeira Paulista de melhor ficção da Competição Novos Diretores
- O júri também premiou O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas como melhor documentário, e Fernanda Tovar, de Chicas Tristes, como melhor direção, além de conceder um prêmio especial a Edward Said: Entre Mundos
- Os favoritos do público foram Fernanda, Feito Pipa, 100 Dias, O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas e O Sentido da Vida
- O júri da crítica escolheu Chicas Tristes como melhor internacional e Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco, como melhor brasileiro
A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo anunciou seus premiados na noite desta quinta-feira, 29 de outubro, no Teatro Cultura Artística. O júri composto pelo cineasta estadunidense Boots Riley, o cineasta iraniano Ali Asgari, o cineasta colombiano Cesar Augusto Acevedo e a cineasta brasileira Laís Bodanzky escolheu Cinco Anos, Quatro Meses, de Esteban Hoyos García e Juan Miguel Gelacio, como a melhor ficção da Competição Novos Diretores, com a seguinte justificativa:
“O filme retrata de maneira comovente a busca incansável de
uma mãe por seu filho desaparecido. Por meio de uma representação sensível e
profundamente humana do luto, da memória e da busca incessante pela verdade,
transforma uma realidade social dolorosa em uma sensível jornada
cinematográfica. Com sua abordagem narrativa singular das fronteiras entre a
vida, a morte e a fé, a obra oferece uma reflexão emocionante sobre a
necessidade humana de encontrar respostas e manter a esperança”.
Segundo o júri, o melhor documentário da Competição Novos
Diretores foi O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas, de Matteo
Norzi e Èlia Gasull Balada. O júri justificou assim sua escolha: “O prêmio
de melhor documentário vai para uma obra que captura com maestria a dualidade
entre a preservação indígena e a globalização mercantilista, por meio do
retrato profundo e comovente da pintora peruana Sara Flores. Com uma
sensibilidade única, o filme nos mergulha na arte sagrada do kené e expõe o
choque cultural drástico vivido pela artista ao passar da Amazônia para as
exclusivas galerias de luxo internacionais. Para além de seu valor estético, a
obra se torna um poderoso testemunho de ativismo e denúncia diante da crise
climática, da extração ilegal de madeira e do desmatamento que destrói a
floresta. Um filme extremamente necessário, que convida o espectador a acolher
a sabedoria mística dos povos originários e a refletir, com urgência e profundidade,
sobre nossos próprios ritmos de vida modernos”.
Fernanda Tovar, de Chicas
Tristes, ganhou o Prêmio do Júri de Melhor Direção. A justificativa do
júri foi: “O prêmio de Melhor Direção vai para uma cineasta que retratou de
maneira extraordinária as tensões, alegrias, angústias e aspirações de ser
adolescente, com tanta sutileza e especificidade que todos nós conseguimos nos
identificar. As atuações, momentos de silêncio e situações de desespero e
confusão foram apresentados em meio a um mundo repleto de promessas e perigos,
com cuidado e atenção magistrais. A visão dessa cineasta se fez sentir ao longo
de todo o filme, e ficou claro que elenco, equipe e chefes de departamento
estavam em perfeita sintonia, como em uma sinfonia conduzida por uma maestrina
habilidosa. Acima de tudo, o filme é permeado pelo mesmo sentimento que a
diretora nutre por suas personagens: amor”.
O Prêmio Especial do Júri foi para Edward
Said: Entre Mundos, de Maiken Baird, com a justificativa: “O júri
concede o Prêmio Especial ao documentário Edward Said: Entre Mundos, de
Maiken Baird, reconhecendo sua força e sua relevância. Mais de 20 anos após sua
morte, Edward Said continua a nos desafiar com sua coragem intelectual, ao
confrontar as grandes potências e questionar as narrativas dominantes, dando
visibilidade à história e aos direitos do povo palestino. Sua voz permanece
indispensável diante de um conflito ainda sem solução, reafirmando que não
haverá paz sem justiça, reconhecimento e humanidade”.
Os premiados pelo júri receberam o Troféu Bandeira
Paulista, uma criação da artista plástica Tomie Ohtake. Os quatro membros
do júri escolheram entre os longas mais votados pelo público após as exibições
da primeira semana do evento dentro da Competição Novos Diretores, para
primeiro e segundo filmes.
Os favoritos do público foram Fernanda,
de Pedro Waddington, na categoria documentário brasileiro, e Feito Pipa,
de Allan Deberton, e 100 Dias, de Carlos Saldanha, entre os filmes de
ficção brasileiros. A audiência ainda escolheu O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas, de Matteo
Norzi e Èlia Gasull Balada, como melhor documentário internacional, e O Sentido
da Vida, de Ryūsuke Hamaguchi, como melhor ficção internacional.
O júri da crítica concedeu dois prêmios. O de melhor
filme internacional foi para Chicas
Tristes, de Fernanda Tovar, com a seguinte justificativa: “Ao
retratar uma juventude consciente de seu corpo e das políticas do afeto, o
filme está em sintonia com as demandas e ansiedades do presente, atravessando
fraturas femininas silenciosas e se situando num espaço de sofisticada
percepção formal. Tudo isso é realizado de maneira cinematográfica potente, o
que o eleva a um lugar de excelência. Por isso, o prêmio da crítica de melhor
filme internacional da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo vai para
para o mexicano Chicas Tristes, de Fernanda Tovar”.
O melhor filme brasileiro segundo a crítica foi Pequenas
Tragédias, de Daniel Nolasco. A justificativa do júri da crítica foi: “Ao
contar uma história pessoal em uma deliciosa mistura entre o real e o
dramatizado, este filme te captura pelo bom humor e ao final te deixa em
lágrimas, mas sem deixar de lado a sensualidade característica de aventuras de
um jovem no interior do Brasil. Além de levantar questões importantes para a
comunidade LGBTQIAPN+, o filme conta com um visual potente e único que atinge o
status de excelência. Por isso, o prêmio da crítica de melhor filme brasileiro
da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo vai para Pequenas
Tragédias, de Daniel Nolasco”.
O júri da crítica foi formado nesta edição por Alessandra
Monterastelli, Alysson Oliveira, Antonio Carlos Egypto, Bianca Bueno, Bruno
Carmelo, Davi Galantier Krasilchik, Diego Quaglia, Flavia Guerra, Igor do Ó,
Inácio Araújo, Jean Werneck Soares, Luiz Carlos Merten, Luiz Zanin Oricchio,
Marcos Santuário, Maria do Rosário Caetano, Marina Bueno, Matheus Mans,
Mattheus Goto, Neusa Barbosa, Norma Couri, Paulo Ernesto, Rafael Carvalho,
Raissa Sanches, Rodrigo de Oliveira, Ubiratan Brasil, Victor Russo, Victoria Allen
Hope, Vinicius Oliveira Rocha, Vítor Búrigo e Tuna Dwek.
O Prêmio Paradiso foi para A
Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr. A justificativa foi: “Por
se utilizar das ferramentas narrativas do terror para tratar de questões
importantes da sociedade, como controle psicológico, violência velada e
homofobia, o Projeto Paradiso outorga o prêmio ao filme A Professora de
Francês, de Ricardo Alves Jr. A protagonista é vivida de forma brilhante
pela atriz Grace Passô, e esperamos que o prêmio contribua para que esta
brilhante performance atinja seu público”. O prêmio Paradiso dá apoio à
distribuição nos cinemas a um dos filmes da seção Mostra Brasil. Esse auxílio
visa o lançamento comercial da obra escolhida e estimula a conexão com o
público. A escolha do vencedor foi feita por meio de uma comissão externa a
partir dos títulos mais votados pelo público.
O 4º Prêmio BRADA, de direção de arte, foi para O
Julgamento de Hein, de Kai Stänicke. O premiado foi escolhido pelo
BRADA, coletivo de diretoras de arte do Brasil, que traz a visão de
profissionais mulheres sobre o audiovisual, destacando o trabalho criativo,
visual e sensorial da direção artística. A justificativa do júri foi: “Com
uma construção criativa e bem conceituada dos espaços, a arte desse filme
contribui ativamente para contar a história de forma metafórica, o que faz com
que o espectador entre na história pelos cenários. Uma comunidade que vive sem
paredes é uma comunidade que vigia e julga. Pela coragem de construir um mundo
a partir da subtração, o prêmio de melhor direção de arte vai para O
Julgamento de Hein, de Kai Stänicke”.
Em sua segunda edição, o Prêmio Prisma Queer foi para
Eu Planto Minha Mão no Jardim, de Boris Hadžija e
Hoda Taher, como melhor filme internacional, e London, de
Victor Di Marco e Márcio Picoli, como melhor filme brasileiro. A
Paixão Segundo G.H.B., de Gustavo Vinagre e Viva Couto, levou o Prêmio
Especial do Júri. A premiação independente, abrigada na Mostra, visa celebrar,
visibilizar e fomentar a produção audiovisual LGBTQIA+ no Brasil e no mundo.
Esta edição da Mostra tem ainda o patrocínio do Itaú, a
parceria institucional do Sesc, a parceria da Spcine e da Prefeitura de São
Paulo, e o fomento do ProAC (Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de
São Paulo), por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.
Prêmio do Júri | Melhor Documentário
Prêmio do Júri | Melhor Direção
Fernanda Tovar, por CHICAS TRISTES
Prêmio Especial do Júri
Prêmio do Público | Melhor Filme de Ficção Brasileiro
Prêmio do Público | Melhor Filme de Ficção Internacional
Prêmio da Crítica | Melhor Filme Internacional
Prêmio da Crítica | Melhor Filme Brasileiro
Prêmio Brada | Melhor Direção de Arte
Prêmio Netflix
Prêmio Paradiso
Prêmio Prisma Queer | Melhor Filme Internacional
Prêmio Prisma Queer | Melhor Filme Brasileiro
Paulo Branco
S.S. Rajamouli



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