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CRÍTICA: O BOSQUE SELVAGEM

Crítica by Jhow Foster:  ¨O Bosque Selvagem (Wildwood) – A Nova e Monumental Obra-Prima da Laika. 

​A mais nova empreitada do estúdio Laika (conhecido por Coraline e Kubo e as Cordas Mágicas) adapta o best-seller escrito por Colin Meloy e entrega não apenas o melhor filme de animação do ano, mas uma das obras mais impressionantes do cinema recente.




​Combinando a atmosfera da fantasia sombria com o clássico amadurecimento infantojuvenil, o filme entrega uma experiência épica, madura e inesquecível. 

​🦅 A Premissa: Uma Jornada Oculta: 

​A história se passa nos arredores de Portland e acompanha a jovem Prue McKeel, de 12 anos. Sua vida vira de cabeça para baixo quando seu irmão bebê, Mac, é sequestrado por uma horda de corvos misteriosos a mando de uma feiticeira sombria.

​Para resgatá-lo, Prue e seu desajeitado colega de classe, Curtis, precisam cruzar as fronteiras do mundo conhecido e adentrar o Bosque Selvagem, uma floresta mágica e secreta que não consta em nenhum mapa e da qual dizem que ninguém jamais retorna.

​Dentro do bosque, a dupla se depara com um universo fascinante e altamente perigoso. 

​Um mundo em conflito: A floresta é habitada por animais falantes, bandidos desonestos e comunidades rivais em uma violenta disputa por poder. 

​Amadurecimento e Destino: Embora Prue se considere "velha demais para contos de fadas", ela se vê no centro de uma profecia e precisa dominar as regras daquele reino para salvar sua família. 




​🧱 O Colossal Trabalho de Bastidores:

​Com 2 horas e 12 minutos (132 minutos) de duração, O Bosque Selvagem é uma das produções mais ambiciosas da história da animação stop-motion. O estúdio mobilizou mais de 1.000 profissionais ao longo de quase 10 anos de desenvolvimento (sendo 7 anos dedicados ativamente ao projeto), unindo o artesanal à tecnologia de ponta:

​Escala impressionante: Foram construídos manualmente 132 cenários em miniatura e 236 bonecos articulados.

​Impressão 3D de expressões: A equipe produziu cerca de 142 mil rostos substitutos impressos em 3D, garantindo uma variedade e fluidez de expressões faciais nunca antes vista no formato. 

​A Batalha Épica: Uma única sequência de batalha de 12 minutos exigiu mais de 400 planos de câmera e envolveu cerca de 3.000 personagens simultâneos em cena. 

​Paciência e precisão: Sob a direção de Travis Knight e a fotografia do lendário Caleb Deschanel (vindo do live-action), 49 animadores trabalharam por 231 semanas diretas. Em muitas ocasiões, uma semana inteira de trabalho exaustivo resultava em apenas 4 segundos de filme pronto.

​Presença brasileira: O nível de detalhe começou do zero em testes com os esqueletos metálicos (armatures) dos bonecos, processo que contou com a dedicação dos animadores brasileiros Thiago Calçado e Marcelo Amp. 




​🎨 O Veredito: Uma Obra-Prima Inquestionável

​O resultado final é absolutamente incrível e visualmente inédito.

​É importante destacar que não se trata de um filme para crianças pequenas, a animação é surpreendentemente violenta, vibrante e sangrenta em diversos momentos, especialmente na sua batalha final, que é de tirar o fôlego.

​Para além do espetáculo técnico e da ação, o longa brilha por seu coração:

​Personagens extremamente carismáticos e cativantes.

​Uma vilã extraordinariamente bem desenvolvida, com motivações marcantes.

​Uma narrativa profunda sobre família, amizade, sacrifício e pertencimento. 

​Conclusão: O Bosque Selvagem é a melhor animação do ano e uma das maiores conquistas do cinema em muito tempo. Se não levar o Oscar de Melhor Animação, será uma das maiores injustiças da história da premiação. Fica a torcida para que a Laika continue o trabalho e adapte o restante da trilogia literária!¨.



Até onde você iria por amor? Do estúdio LAIKA, responsável por Coraline e o Mundo Secreto, O Bosque Selvagem estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas, com distribuição da Imagem Filmes. Resultado de 16 anos de trabalho, a animação em stop-motion dirigida por Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas) chega ao país com com 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, se tornando o filme mais bem avaliado da história do estúdio. Além disso, obteve média 4,5 (de 5) no Letterboxd. O longa também já é apontado como um dos favoritos ao Oscar® de Melhor Animação.

A recepção da crítica internacional confirma a dimensão do projeto. Frank Scheck, do The Hollywood Reporter, classificou a animação como o projeto mais ambicioso da LAIKA e talvez a obra-prima do estúdio. O crítico Robbie Collin, do britânico The Telegraph, foi além: “Acho que acabei de ver o filme em stop-motion mais bonito já feito”. Para o TheWrap, trata-se de uma das animações mais impressionantes já realizadas, enquanto a Collider afirmou que o longa supera todos os trabalhos anteriores da LAIKA.



O Bosque Selvagem: Uma fantasia épica como ato de amor

Baseado no livro de Colin Meloy, com ilustrações de Carson Ellis, O Bosque Selvagem acompanha Prue McKeel (Giulia Benite na versão dublada), uma adolescente obstinada que vê o irmão caçula ser levado por um bando de corvos. Para resgatá-lo, ela parte rumo à Floresta Impenetrável, uma mata encantada escondida logo além de Portland, no Oregon. 

Ao lado de Curtis Mehlberg (Pedro Burgarelli na versão dublada), colega de classe atrapalhado, porém leal e secretamente apaixonado por ela, Prue atravessa um mundo de animais falantes, bandidos e figuras poderosas movidas por luto e ambição. Quando a dupla é arrastada para um conflito que ameaça o equilíbrio da própria floresta, a jovem precisa encontrar uma força que nunca soube ter e arriscar tudo para trazer o irmão de volta.




Do outro lado do conflito está Alexandra, a Governadora Viúva, personagem que encarna de forma trágica a pergunta que move o filme: até onde ir por quem amamos? Muito antes de ser vista como vilã, Alexandra era apenas uma mãe. A morte do filho pequeno despedaçou seu mundo de tal forma que ela se recusou a aceitá-la como definitiva. 

Na tentativa de derrotar a morte, acabou aprisionada no próprio luto, sacrificando a compaixão, a razão e, por fim, a humanidade em busca do impossível. Alexandra não é movida pela crueldade, mas por um amor que se transformou em obsessão. É o lembrete de que até nossas virtudes mais profundas, quando perdem os limites, podem se tornar nossas maiores tragédias. “O luto pode fazer o impossível parecer negociável”, resume o diretor Travis Knight. 

Pelo caminho, Prue encontra aliados que revelam as muitas faces da coragem. Brendan, líder dos Bandidos, conquistou o posto pela confiança dos companheiros, não pela busca de poder, e logo reconhece na jovem a rara disposição de escolher o que é certo em vez do que é fácil. 




A General, majestosa comandante do Principado Aviário, governa com autoridade e sabedoria e é uma das poucas figuras capazes de enxergar além das disputas entre facções. Já a pequena e maltrapilha Septima, subestimada por quase todos, sobrevive de esperteza e lábia, misturando trapaça, humor e uma lealdade surpreendente. 

A jornada ainda reúne a guerreira Niamh, o excêntrico e teatral Corujão Rei, a sábia Iphigenia, alma mais antiga do bosque, o Chefe dos Correios, que conhece como ninguém os caminhos ocultos da floresta, e o azarado Dmitri, um soldado de decência inabalável. 

Ao lado de Alexandra está Maksim, que serve a Governadora com devoção absoluta, convicto de que a ordem vale qualquer preço, e encarna a certeza sedutora do poder autoritário. Mais discreto, mas não menos perigoso, Lars Svik não busca amor, e sim controle, certo de que o destino das nações se decide em salas silenciosas. 

Na família de Prue, a mãe, Sra. McKeel, acolhedora e artística, e o pai, Sr. McKeel, engraçado e pé no chão, mostram que os gestos comuns de cuidado também podem ser heroicos.



A grandeza de O Bosque Selvagem

A história de O Bosque Selvagem começou antes mesmo de o livro chegar às livrarias em 2001. Um ano antes, Knight leu o manuscrito ainda inacabado de Colin Meloy e soube na hora que queria adaptá-lo. A escala da história, porém, estava além do que o stop-motion permitia na época, e o projeto amadureceu por 16 anos enquanto a LAIKA lançava outros filmes. Os storyboards começaram a ser desenvolvidos em 2018, a pré-produção teve início em 2020, poucas semanas antes da pandemia, e as filmagens começaram oficialmente em 2021.

Travis Knight e uma equipe de mais de mil artistas, artesãos, técnicos e realizadores trabalharam por anos para dar vida ao roteiro que ele assina ao lado de Chris Butler, que já havia assinado os roteiros de ParaNorman, Kubo e as Cordas Mágicas e Link Perdido. 

A equipe liderada pelo designer principal de personagens Thibault Leclercq desenvolveu o visual dos personagens, enquanto a figurinista Deborah Cook confeccionava as roupas em miniatura e o diretor de arte Nelson Lowry transformava as peculiaridades de Portland, cidade-sede da LAIKA, em cenários que funcionam como uma declaração de amor da equipe à cidade. 

Para a fotografia, Knight convidou Caleb Deschanel, seis vezes indicado ao Oscar®, que estreia no stop-motion após décadas de carreira no live-action, experiência que reconfigurou a forma como o estúdio pensa a imagem. A trilha sonora é de Dario Marianelli, vencedor do Oscar® por Desejo e Reparação, que já havia composto para a LAIKA em Kubo e as Cordas Mágicas e Os Boxtrolls.

Os números dão a dimensão do projeto: foram 231 semanas de produção, 2.804 planos na versão final e 132 cenários práticos, que dão forma a 117 locações distintas. Para que os 233 bonecos transmitissem emoção real, foram criados 142.030 rostos substituíveis, trocados quadro a quadro. 

O número supera os cerca de 106 mil de Link Perdido, até então o recorde entre os longas em stop-motion. Cada personagem principal recebe um rosto único para cada quadro de animação, o equivalente a 24 rostos por segundo de filme, e cada um deles é preservado no acervo da LAIKA como uma obra de arte individual.

 



Outros números ajudam a entender a escala de O Bosque Selvagem:

  • Recorde no stop-motion: uma única cena exigiu 1.124 rostos substituíveis, 555 para Prue e 569 para Curtis. Segundo a LAIKA, é o maior número já usado em um único plano na história da técnica.
  • Lágrimas: 67 planos mostram lágrimas visíveis, mais de dez vezes o recorde anterior do estúdio, que pertencia a Os Boxtrolls, com apenas seis.
  • Do minúsculo ao gigante: o menor boneco, a Mini Septima, tem apenas 4,1 cm de altura. O maior, a General, mede 86 cm do bico à cauda e tem 1,63 m de envergadura, a altura de um adulto.
  • Pena por pena: cada boneco da General carrega 3.794 penas colocadas individualmente.
  • Uma floresta feita à mão: 728 árvores artesanais representam dez espécies do noroeste do Pacífico. A armação mais alta chega a 5,72 m, quase a altura de um sobrado.
  • Do tamanho de dois campos de futebol: as filmagens ocuparam 112 palcos, em uma área de mais de 14.400 m².
  • De São Paulo a Brasília em arame: a produção usou cerca de 1.151 km de arame de latão, mais que a distância rodoviária entre as duas cidades. Todo o material foi reciclado ao fim das filmagens.

“Nosso filme foi feito à mão, um quadro por vez, e acredito que o público consegue sentir essa presença humana na imagem. Mas o artesanato nunca é o ponto. O sentimento é o ponto. A técnica é apenas o modo como comunicamos algo íntimo e vivo. Não fazemos esses filmes para que as pessoas vejam o trabalho por trás deles. Fazemos para que, por um tempo, elas esqueçam completamente o trabalho e acreditem na vida diante delas”, conta o diretor Travis Knight.




 

Brasileiros em "O Bosque Selvagem":

Entre os profissionais que contribuíram para dar vida ao universo fantástico do filme estão Thiago Calçado, animador de stop-motion com experiência em algumas das principais produções internacionais da técnica, e Marcelo Amp, especialista em moldagem e fundição de silicone.

Thiago Calçado volta a trabalhar com o diretor Travis Knight após participar de “Kubo e as Cordas Mágicas” (2016), produção da LAIKA indicada ao Oscar® de Melhor Animação e de Melhores Efeitos Visuais, além de vencedora do BAFTA® de Melhor Animação, de três prêmios Annie® e do National Board of Review®. Ao longo da carreira, Calçado também fez parte da equipe de animação de ‘Minhocas’ e 'Dyrene i Hakkebakkeskogen’, longa norueguês inspirado no livro clássico de Thorbjørn Egner. Trabalhou no aclamado ‘Ilha dos Cachorros’ (2018), de Wes Anderson, indicado ao Oscar® de Melhor Animação e de Melhor Trilha Sonora Original e vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim.

Outro destaque de sua carreira é a participação como animador sênior de ‘Pinóquio’ (2022) de Guillermo del Toro, e o responsável por animar a Morte, uma das figuras mais marcantes do filme vencedor de outros 71 prêmios ao redor do mundo. Sua trajetória contempla também A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets” (2023), da Aardman, e o desenvolvimento de projetos próprios como diretor: a série de animação 2D “Ana Bolinha” (2021) e “Sol em Dó Ré Mi” (2024), exibida na TV Brasil, que combina animação 2D e stop-motion.

Marcelo Amp integra a equipe de efeitos especiais e trabalhou na criação da pele dos bonecos, uma etapa essencial para garantir a aparência realista dos personagens, a interação dos materiais com a iluminação e a flexibilidade necessária para a animação quadro a quadro. Amp também é conhecido por trabalhar em produções como "Morto Não Fala" (2018), Reza a Lenda (2016), Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro (2018), Remanente: Voltagem (2026).

O Bosque Selvagem estreia em 29 de outubro nos cinemas brasileiros com distribuição da Imagem Filmes. 

Sinopse:
Existe um bosque escondido logo depois da cidade, um lugar que não aparece em nenhum mapa e de onde dizem que ninguém volta. É para lá que uma revoada de corvos leva o irmão de Prue (Giulia Benite), enviados por uma feiticeira que precisa dele para seus planos sombrios. 

Sem pensar duas vezes, Prue parte para o Bosque Selvagem para salvá-lo, ao lado do amigo Curtis. Lá dentro, os dois encontram um mundo mágico, cheio de perigos, criaturas encantadas e segredos antigos. Das mãos que criaram Coraline, chega aos cinemas uma história sobre coragem, amizade e os laços que nos movem.

 

Ficha Técnica
Direção: Travis Knight
Roteiro: Chris Butler
Produção: Travis Knight e Sam Wilson
Direção de fotografia: Caleb Deschanel
Direção de arte: Nelson Lowry
Montagem: Christopher Murrie-Green
Música: Dario Marianelli
Supervisão de efeitos visuais: Steve Emerson
Figurino: Deborah Cook
Chefia de personagens e efeitos práticos: Oliver Jones
Direção de prototipagem rápida: Brian McLean
Design principal de personagens: Thibault Leclercq
Chefia de animação: Brad Schiff
Chefia de animação em CG: Benoit Dubuc
Chefia de storyboard: Emanuela Cozzi
Distribuição: Imagem Filmes

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