Em cartaz a quinta edição do festival negro de cinema NICHO NOVEMBRO, realizado pelo NICHO 54, instituto que apoia a carreira de pessoas negras em posições de liderança criativa, intelectual e econômica na indústria audiovisual. A mostra acontece até o dia 18 no CCSP (Centro Cultural São Paulo), na avenida Vergueiro, e os ingressos são gratuitos.
“O NICHO NOVEMBRO é um festival que sempre traz boas surpresas para os cinéfilos. Acompanho a curadoria desde o início, e ela ampliou minha visão de mundo com títulos diversos, políticos e vanguardistas. Filmes que, geralmente, não são fáceis de encontrar, tornando a oportunidade de assisti-los no final do ano ainda mais especial. A edição especial deste ano, com a seleção da Firelight Media, está particularmente interessante, mas minhas indicações vão para dois documentários”, celebra Carlos Gabriel Pegoraro, curador do Centro Cultural São Paulo.
Confira os 5 filmes imperdíveis de acordo com curadores e especialistas em cinema:
Black Rio! Black Power!
“Emílio Domingo é um dos grandes diretores brasileiros em atividade e esse retrato aqui é a minha grande expectativa há muito tempo. Gosto dos seus filmes e aqui ele vai se debruçar sobre algo que há muito tempo vem pesquisando. Já li um livro sobre o Black Rio mas sinto que um filme em longa-metragem será a maneira ideal de viver e dançar essa história.”
Gabriel Martins, roteirista e diretor
“Black Rio! Black Power! nos leva a conhecer mais sobre a trajetória de Dom Filó, DJ e ativista, uma figura marcante nos bailes de soul music. Conhecer mais de sua história é, sem dúvida, um privilégio que esta edição do Nicho Novembro nos concede.”
Carlos Gabriel Pegoraro, curador do Centro Cultural São Paulo
“Um filme imperdível dessa edição do Nicho é o documentário “Black Rio! Black Power!”, dirigido por Emilio Domingos. O filme estreou no Festival do Rio e faz um mergulho importante no legado de resistência e luta dos bailes black dos anos 1970 /1980”
Laís Franklin, editora-chefe da revista Bravo!
Drylongso
“Já ouvi falar algumas vezes desse filme de Cauleen Smith e confesso que fiquei particularmente encantado pela textura e cor das imagens. Só por isso já fico extremamente curioso por esse filme que promete um retrato (literalmente) fascinante sobre negritude”.
Gabriel Martins, roteirista e diretor
“Pode parecer redundante recomendar a sessão de abertura de qualquer mostra, mas revisitar Drylongso, longa-metragem de 1998 dirigido por Cauleen Smith, nos dias de hoje, é mergulhar nas contradições que o filme aborda com tanta delicadeza. A obra discute os efeitos do genocídio da juventude negra de modo muito particular, investindo na criação de memórias de uma comunidade preta por meio da fotografia, e ainda encontra espaço para debater as ambivalências das questões de gênero quando elas estão relacionadas, de alguma forma, aos desafios da existência negra”
Gabriel Araújo, jornalista, crítico e curador de cinema
Ramal
“O novo projeto de Higor Gomes e da Ponta de Anzol Filmes, uma nova geração talentosíssima que brota aqui em Minas e que já vem fazendo barulho com esse projeto neste circuito em 2023. Para muitos, é o curta-metragem a se ver no ano”.
Gabriel Martins, roteirista e diretor
“Como segunda indicação, gostaria de falar de um conterrâneo. Não só pela proximidade geográfica - o que ajuda a entender muito do modo como me relaciono com esse curta -, mas por acreditar que Ramal (2023), dirigido por Higor Gomes, consegue fazer boas relações para se pensar a exploração/colonização em um mundo capitalista - representado, no filme, pelo subemprego e pela atividade mineradora - e as possibilidades de vida que são encontradas pelo lazer, pela amizade e pelo feitiço. Além disso, quem não quer ver motoqueiro dando grau no cinema? Isso é Brasil demais.”
Gabriel Araújo, jornalista, crítico e curador de cinema
Adoleta Negra: A história das brincadeiras de bate-mão (Black Girls Play: The Story of Hand Games)
“Confesso que estou curioso com esse filme única e exclusivamente pelo título e sinopse. Me parece fascinante como um ponto de partida para estudo de costumes”.
Gabriel Martins, roteirista e diretor
Diálogos com Ruth de Souza
“Adoro o trabalho de Juliana Vicente e fico curioso por adentrar mais na memória de Ruth de Souza, uma atriz lembrada mas com pouco material de estudo abrangente audiovisual sobre sua carreira”.
Gabriel Martins, roteirista e diretor
Para conferir a lista completa de filmes da mostra clique aqui. A retirada do ingresso gratuito deve ser feita na bilheteria do cinema no CCSP com 1h de antecedência da sessão.
SOBRE O FESTIVAL NICHO NOVEMBRO
O festival negro de cinema NICHO Novembro, realizado pelo Instituto NICHO 54, acontece há cinco anos em São Paulo, e pelo segundo ano consecutivo promoverá simultaneamente em dois dos principais espaços culturais da cidade — o Centro Cultural São Paulo (CCSP) e o Instituto Moreira Salles (IMS) — mostras, debates públicos, workshops, painéis, exposição, pitching show, lançamentos de novos produtos do NICHO 54 e show de encerramento com grupo AFROJAM-SP. Uma programação robusta, que traduz o momento atual do instituto e seu trabalho de promoção de oportunidades e apoio à carreira de pessoas negras.
Com o objetivo de promover um encontro de oportunidades para celebrar a excelência preta na produção audiovisual brasileira e no mundo, o NICHO Novembro tem programação gratuita e é estruturada em três eixos: mostra de filmes, fórum e ambiente de mercado.
Os workshops e painéis realizados com postos consulares no Brasil, além da participação anual de uma instituição estrangeira convidada, traduzem o diálogo que o Instituto NICHO 54 tem com a cena internacional e reforçam a internacionalização da programação do festival, além de promover o intercâmbio entre práticas e profissionais. Na edição de 2022, a mostra contemplou 31 filmes de realizadores negros e reuniu mais de mil espectadores.




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