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CRÍTICA: EROS

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Eros não é apenas um documentário — é um exercício de observação. Um convite pra entrar na intimidade de desconhecidos sem interferir, como uma mosquinha ali, pousada em alguma parede de suíte de motel. 

E não qualquer suíte: aquelas com espelhos no teto, luzes vermelhas, camas redondas e histórias que vão muito além do clichê.



Dirigido por Rachel Ellis, o filme começa com a própria diretora se apresentando. Ela nos posiciona sobre o projeto, explica como surgiu o desejo de filmar casais em motéis e de conhecer, por trás das paredes espelhadas, as pessoas que transformam aquele espaço em algo único. E a proposta é clara: o motel como lugar de escuta, confissão, entrega.


Ao longo do filme, vemos sete casais, um trisal e um homem sozinho, todos filmados por eles mesmos, usando seus celulares durante a estadia. O áudio, por isso, nem sempre é ideal — mas as legendas ajudam, e a sensação de espontaneidade compensa. A trilha sonora é outro charme: as músicas que tocam são as que eles mesmos escolheram, clássicos de motel que ajudam a pintar o clima da experiência.


Eros fala sobre sexo, claro. Mas também fala sobre silêncio, sobre desejo, vergonha, religiosidade, machismo, fetiches e afetos. É curioso perceber como, além do corpo, há muito da mente sendo exposta. Entre uma cena e outra, surgem conversas intensas, dolorosas ou simplesmente banais — e tudo isso ajuda a compor um mosaico emocional e sexual do Brasil.

Cada história ali tem um tom. Tem gente que você se conecta mais, outros menos — depende muito das suas próprias vivências. A suíte que cada casal escolhe, a playlist que toca, os modos de falar e de tocar refletem não só seus gostos, mas suas realidades socioeconômicas e culturais.

O filme lida com a nudez de forma natural, sem voyerismo barato, nem sensacionalismo. Mas é importante dizer: é um filme pra ser assistido com o coração e a mente abertos. Não há um roteiro, nem um fio narrativo tradicional. É uma colagem: fragmentos de histórias, falas, gestos. As pessoas aparecem, contam suas experiências e vão embora — sem conexão direta entre si, além do espaço em comum.

E talvez esse seja o ponto mais frágil de Eros. Falta um trabalho mais elaborado de edição e de storytelling. A colagem é honesta, mas podia ser mais envolvente. Há momentos em que o filme parece repetir estruturas ou perder ritmo, o que prejudica a imersão total.

Ainda assim, se você consegue assistir sem julgamento, Eros oferece algo raro: a chance de experienciar realidades que quase nunca ganham espaço. Um filme que não explica nem conclui, mas observa — e convida você a fazer o mesmo¨. 

Ficha Técnica
Direção e Argumento: 
Rachel Daisy Ellis
Produção: Dora Amorim, Rachel Daisy Ellis
Empresa Produtora: Desvia
Coprodução: Ponte
Montagem: Matheus Farias, Edt
Desenho de som: Nicolau Domingues

Mixagem: Nicolau Domingues e Mauricio D´Órey

Participantes & Filmagens de:  Marlova Dornelles & Andrade, Gabriel Soares & Hagar, Joana & José dos Santos, Ale Gaúcha & amigos, Fernanda Falção & Ribersson, Camila & Heber, Barbara Drummond & Paulo Vela, Luis de Basquiat, Rachel Daisy Ellis

Assistência de direção: David Moura, Everton Federico, Hellyda Cavalcante 

Pesquisadores: Victoria Alves, Bruna Leite, Chico Ludemir, Chico Ludemir, Vanessa Forte,  Maria Clara Escobar, Fernanda Luá, Tainã Aynoã dos Santos Barros, Mayara Sanchez, Laura Dornelles

Assessoria de Imprensa: Sinny Assessoria
Distribuição: Fistaile

Cartaz: Guilherme Luigi

Trailer: Matheus Farias e Will Oliveira

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