Crítica by @rapharitchie : ¨Faça Ela Voltar é o tipo de filme que incomoda mais pela atmosfera do que pelos sustos.
A história começa com dois meio-irmãos que, após encontrarem o pai morto, são levados para um novo lar adotivo.
A nova guardiã, Laura, é uma ex-conselheira pedagógica com um comportamento excêntrico e um olhar sempre distante.
Aos poucos, a casa vai revelando seus próprios segredos, inclusive a presença de Oliver, um menino mudo que também vive ali.
A atuação de Sally Hawkins é o centro gravitacional do filme. Ela oscila entre um afeto doentio e um controle silenciosamente ameaçador.
E é esse controle que guia o clima da narrativa: mais sufocante do que propriamente assustador. Não é um terror tradicional — é um filme sobre luto, obsessão e manipulação emocional.
Visualmente, o filme aposta num simbolismo que amplifica esse desconforto.
A piscina, o cabelo, os rituais… tudo carrega um peso emocional e uma tensão quase física. É um horror corporal, mas também psicológico. Uma história que escorre devagar, como algo pegajoso que não desgruda fácil da pele.
A relação entre os irmãos vai sendo testada até o limite, e é nesse ponto que o roteiro mais acerta.
A violência não está apenas na presença sobrenatural, mas na forma como Laura manipula os laços entre eles. Existe uma perversidade fria, quase invisível, que faz a casa parecer viva e emocionalmente perigosa.
Apesar de cenas realmente perturbadoras, o filme nem sempre consegue manter o mesmo nível de tensão.
Alguns arcos carecem de desenvolvimento mais profundo, e a conclusão, embora coerente, opta por uma resolução mais contida do que se esperava.
Fica a sensação de que ele poderia ter ido além, mergulhado sem medo no absurdo e abraçado com mais coragem o lado mais sombrio da narrativa.
Ainda assim, Faça ela voltar é um daqueles filmes que deixam marcas. Ele não choca pelo susto, mas pela lentidão angustiante com que seus temas se revelam.
Uma experiência incômoda, cheia de camadas, que desafia o espectador a se manter ali, mesmo quando tudo grita por fuga¨.
Dos mesmos diretores de "Fale Comigo", Danny e Michael Philippou
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