Crítica by Raphael Ritchie: ¨Existe uma tensão constante quando a verdade de alguém ameaça revelar a verdade de outro.
Depois da Caçada parte justamente desse ponto, colocando uma professora universitária, interpretada por Julia Roberts, no centro de um turbilhão que começa com a denúncia de agressão feita por uma aluna e vai se tornando algo mais íntimo, mais incômodo, mais difícil de ignorar.
A atuação da Julia segura tudo com uma mistura precisa de contenção e inquietação. Ela não precisa de grandes explosões emocionais porque o corpo já denuncia o que está tentando esconder.
A cada cena, o olhar mais evasivo, a respiração descompassada, os silêncios prolongados… tudo revela que essa mulher está fugindo de alguma coisa, inclusive de si mesma.
O relacionamento entre a professora e a aluna se torna o fio condutor de um jogo de poder e suspeita.
Existe um desequilíbrio ali que o filme explora com cuidado, colocando as duas num campo de tensão onde confiança e manipulação se confundem.
E o mais curioso é que, à medida que a história avança, a gente começa a perceber que talvez nenhuma delas esteja contando tudo, ou talvez nenhuma saiba exatamente o que está sentindo.
Tem gente que silencia por medo. Tem gente que fala para ser ouvida. E às vezes, ninguém está completamente certo ou completamente errado.
Boa parte da tensão do filme nasce do que não é dito. A universidade vira um campo minado onde qualquer gesto pode ser lido como ameaça, onde e-mails, reuniões e conversas de corredor ganham peso de tribunal.
O roteiro entende que, num ambiente assim, verdade e narrativa andam juntas, e qualquer um pode moldar a sua.
A trilha sonora é outro elemento que merece atenção. Ela não passa despercebida, pelo contrário, marca presença com composições densas, criadas para pressionar o ambiente e reforçar a tensão.
Em alguns momentos, entra a bossa nova. Suave, elegante, quase deslocada. Mas é justamente esse contraste que incomoda.
O som que deveria tranquilizar transforma os momentos desconfortáveis em algo ainda mais perturbador.
A trilha sonora é outro elemento que merece atenção. Ela não passa despercebida, pelo contrário, marca presença com composições densas, criadas para pressionar o ambiente e reforçar a tensão.
Em alguns momentos, entra a bossa nova. Suave, elegante, quase deslocada. Mas é justamente esse contraste que incomoda. O som que deveria tranquilizar transforma os momentos desconfortáveis em algo ainda mais perturbador. A trilha não suaviza o desconforto. Ela o amplifica.
A direção também trabalha com contenção. Nada explode, mas tudo parece prestes a desmoronar. A câmera observa à distância, como se espionasse os personagens, e a gente observa junto, tentando entender quem está falando a verdade, quem está escondendo algo e até onde cada um é capaz de ir para preservar sua versão dos fatos.
O filme não entrega respostas fáceis. Prefere deixar o espectador suspenso, desconfiado, inquieto. E é aí que ele funciona. Às vezes, o que mais assusta não é o que foi feito, e sim o que pode vir à tona quando ninguém mais estiver disposto a esconder¨.
Um dos filmes mais aguardados do ano, segundo o Rotten Tomatoes, "Depois da Caçada" faz sua estreia mundial no 82º Festival de Veneza, fora de competição, e segue para o 63º Festival de Cinema de Nova York, onde abre a programação.






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