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CRÍTICA: O BOM BANDIDO

Crítica by Raphael Ritchie: ¨O Bom Bandido é uma daquelas histórias que parecem inventadas demais pra serem reais, mas aconteceram.




Um ex-militar que assalta um McDonald’s, é preso, foge e passa meses escondido no telhado de uma loja de brinquedos. Entre caixas de bonecos e corredores iluminados, ele cria uma nova identidade, tenta se redimir e se apaixona por uma funcionária, enquanto o passado insiste em bater à porta.

O filme acerta ao tratar esse absurdo com naturalidade. A direção não transforma a história em farsa, mas também não a trata com solenidade excessiva. Existe humor, existe leveza, mas também um desconforto constante que lembra que nada ali é inocente.

A loja de brinquedos vira um símbolo de um refúgio infantil, um espaço onde ele tenta reconstruir uma vida imaginária, enquanto o mundo real segue do lado de fora, impaciente, hostil, inevitável.




Channing Tatum faz talvez uma das atuações mais contidas da carreira. Ele constrói um Jeffrey Manchester dividido entre culpa e encanto, entre o desejo de ser um bom pai e a impossibilidade de escapar do que já fez.

O carisma do ator ajuda a sustentar um personagem que, nas mãos erradas, poderia parecer apenas um homem tentando justificar o injustificável. Com Tatum, há um desconforto genuíno, uma tristeza que o filme não precisa explicar.

Kirsten Dunst, como Leigh, é o contraponto ideal. A química entre os dois funciona porque não é perfeita. Existe ternura, mas também desconfiança.

O romance nasce num terreno de mentiras e ainda assim consegue despertar empatia, o que torna tudo mais ambíguo.




Ela acredita nele, o público quer acreditar, mas o filme faz questão de lembrar que a verdade sempre encontra um jeito de aparecer.

Visualmente, o longa aproveita bem o contraste entre o espaço fechado e o mundo exterior. A fotografia aposta em tons quentes e luz artificial para representar o abrigo improvável que o protagonista constrói, enquanto o som da cidade, sempre presente, reforça o que ele tenta esquecer.

É um filme que, mesmo preso em poucos ambientes, parece expandir o tempo com a mesma lentidão de quem vive escondido.

O ritmo, no entanto, pesa em alguns momentos. A narrativa demora a se resolver e o filme poderia ser mais enxuto. Algumas passagens soam repetitivas, especialmente quando tenta romantizar demais a vida dupla do protagonista.

A tentativa de equilibrar comédia, suspense e drama nem sempre é bem-sucedida, mas há sinceridade na execução, e isso o torna interessante mesmo quando escorrega.

O Bom Bandido levanta uma questão incômoda: até que ponto a empatia justifica? É fácil se comover com alguém tentando se redimir, mas difícil aceitar que o mal também pode vir de quem sorri com doçura.




O filme talvez idealize seu protagonista mais do que deveria, mas no processo nos força a olhar pra essa contradição com um certo desconforto. E, de algum modo, é aí que ele encontra verdade¨.

Além de Tatum, Dunst e Dinklage, o elenco de O BOM BANDIDO também conta com Juno Temple e Lakeith Stanfield no elenco. O diretor Derek Cianfrance também assina o roteiro, que foi escrito juntamente com Kirt Gunn.

O BOM BANDIDO tem distribuição da Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina, e sua estreia está marcada para 16 de outubro.



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