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CRÍTICA: PERRENGUE FASHION

 Crítica by Raphael Ritchie: ¨Crítica by @rapharitchie : ¨Colocar uma influencer no meio da floresta parece, à primeira vista, uma receita infalível para comédia.





Salto alto na lama, secador de cabelo em tomada de energia solar, wi-fi inexistente e uma hashtag que ninguém vai curtir.

Perrengue Fashion parte exatamente dessa premissa e mergulha sem pudor no clichê do urbano em confronto com o natural, especialmente no embate entre uma mãe controladora e o filho que decide trocar a cidade por uma ecovila na Amazônia, dessas tão sustentáveis quanto instagramáveis.

Só que por trás dessa caricatura inicial, o filme tenta encontrar alguma verdade mais íntima.

Paula Pratta, vivida por Ingrid Guimarães, tem milhões de seguidores, contratos publicitários e um estilo de vida que cabe direitinho no feed.




Mas tudo escapa do controle quando o filho resolve ir embora. O que começa como uma tentativa de convencê-lo a voltar logo se transforma em uma viagem forçada de autoconhecimento, onde ela precisa revisar não só a relação com ele, mas também com a imagem de sucesso que construiu.

O roteiro se apoia no contraste como motor da narrativa. Cidade e floresta, stories e silêncio, ambição e afeto.

E embora nem sempre escape dos estereótipos, há um esforço visível para construir uma jornada emocional que soe verdadeira, principalmente quando o filme abandona a piada fácil e deixa os personagens respirarem.

Esse equilíbrio depende muito da atuação de Ingrid Guimarães, que entrega uma protagonista performática, exagerada, mas também vulnerável.

Ela transita bem entre o humor da influencer deslocada e os momentos de tensão emocional.




A parceria com Rafa Chalub funciona, os dois têm química e sustentam tanto os diálogos mais ácidos quanto as cenas mais sensíveis, mesmo quando o roteiro não oferece muito apoio.

Visualmente, o filme também se destaca. A fotografia realça o contraste entre as cores vibrantes da cidade e os tons terrosos da floresta.

A câmera desacelera junto com a narrativa quando a protagonista chega à Amazônia, criando uma atmosfera que reforça seu deslocamento. Existe um cuidado estético evidente, que empresta ao filme uma elegância que vai além da comédia de superfície.

Ainda assim, nem tudo funciona como poderia. O humor, em vários momentos, parece subestimar o público. As piadas exageradas quebram o ritmo e diluem o impacto de discussões que poderiam ser mais potentes.

Questões como consumo, desconexão, maternidade e sucesso surgem, mas raramente são desenvolvidas a fundo. Ficam como ecos atravessando a trama, logo engolidos pela próxima piada sobre repelente ou falta de sinal.
Mesmo com esses tropeços, há algo que permanece incômodo de um jeito bom. Um desconforto sutil que toca quem já se perguntou se está vivendo para si ou apenas performando uma vida para os outros. Perrengue Fashion não entrega grandes respostas, mas cutuca o suficiente para fazer essa dúvida continuar rondando — e às vezes, isso é o que mais importa.




@parisfilmes @dtfilmes

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