Crítica by Raphael Ritchie: ¨Quatro anos depois de sobreviver ao terror do telefone preto, Finn tenta seguir com a vida. A rotina voltou, mas as lembranças permanecem.
O trauma ainda está ali, silencioso, esperando qualquer ruído para despertar. Quem começa a sentir isso primeiro é Gwen, sua irmã, que passa a ter sonhos e visões perturbadoras. Vozes que chamam por ela, ecos de algo que parece querer voltar.
O Telefone Preto 2 nasce dessa inquietação. O medo não mora mais no cativeiro, mas dentro da mente. O terror físico dá lugar a uma tensão mais subjetiva, quase espiritual, em que o sobrenatural reflete a memória que insiste em retornar.
Gwen assume o protagonismo dessa nova fase, e o filme encontra nela o ponto de ligação entre fé, intuição e trauma familiar.
A direção de Scott Derrickson mantém o mesmo cuidado sonoro do primeiro filme. O design de som continua sendo o coração da experiência. Cada toque do telefone, cada interferência e cada respiração carregam uma tensão que nunca se dissipa.
A fotografia fria, coberta pela neve, reforça o isolamento e o esgotamento emocional dos personagens. É um terror de inverno, em que a paisagem parece congelar o tempo e a dor junto.
Mas o retorno do Grabber, agora numa abordagem mais sobrenatural, divide opiniões. A escolha de trazer o vilão como uma entidade tira parte da força realista e sufocante do primeiro filme.
O medo que antes era palpável agora ganha contornos mais simbólicos, e embora funcione dentro da proposta, distancia o espectador daquela sensação de perigo concreto que tornava o original tão intenso.
Ainda assim, há algo interessante nessa transição. O filme se volta para as feridas que ficaram, para o peso de conviver com o que não se esquece. A sobrevivência não garante paz, e o maior terror pode ser justamente ter que lembrar¨.



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