Crítica by Caio Felipe (@artecinebr)
"Turn Me On", dirigido por Michael Tyburski, chega após sua exibição na mostra competitiva do Festival do Rio com uma proposta audaciosa: fundir a distopia de crítica social com a comédia romântica. O filme nos transporta para um futuro próximo onde o incômodo da emoção humana foi erradicado por uma vitamina diária obrigatória, controlada por um complexo sistema governamental. A vida é reduzida a jogos e a um convívio social restrito e apático.
O grande motor narrativo, e o cerne de sua potência, reside no protagonismo feminino da personagem Joy (interpretada com brilhantismo por Bel Powley). Joy não se contenta com a "paz" imposta pelo sistema. Ao se dar conta de que está em uma situação delicada de aprisionamento emocional e, de alguma forma, descobrindo que é possível sentir e controlar as próprias emoções ao pular as doses da vitamina, ela se transforma na catalisadora de uma revolução íntima.
(Imagem: Divulgação)
Junto de seu parceiro, William (vivido por Nick Robinson), Joy inicia uma jornada de redescoberta. Mas é sua determinação que a faz ir além: ela expõe a grave situação de alienação a seus amigos próximos, como Samantha (Nesta Cooper) e Christopher (Justin H. Min), que estão sofrendo pelo mesmo motivo sem perceber a gravidade. A atuação de Bel Powley é o pilar que sustenta a humanidade do filme; sua coragem em explorar a alegria, o medo, e até a dor pela primeira vez é transmitida com uma sensibilidade tocante, o que se choca com a passividade dos demais.
O filme se destaca pela ousadia do roteiro de Angela Bourassa, que injeta excelentes pitadas de humor no absurdo dessa realidade insensível, entregando uma crítica social afiada sobre a tecnologia e o controle emocional. Em alguns momentos, a narrativa, ao dedicar-se à lenta construção desse mundo entorpecido, pode parecer entediante, como se o tempo não passasse – um reflexo proposital da vida anestesiada. Contudo, essa fase é superada pela força da história, que em outros momentos prende e vidra o espectador no enredo.
O ápice da experiência chega em seus momentos finais com um plot twist que surpreende e eleva as emoções da história. É neste desfecho que o filme consolida sua mensagem sobre a importância de sentir, mesmo que isso venha com a "bagagem emocional" do caos e da vulnerabilidade.
Ficha:
Data de lançamento: setembro de 2024 (mundial)
Diretor: Michael Tyburski
Duração: 1h 39m
Produtora: Blue Creek Pictures
Trailer:
https://www.youtube.com/watch?v=Y3N9_jQI6F8&pp=ygUcdHJhaWxlciB0dXJuIG1lIG9uIGxlZ2VuZGFkbw%3D%3D





0 Comentários