CRÍTICA BY RAPHAEL RITCHIE: ¨A Empregada dá aquela sensação clássica de “isso vai dar errado” desde cedo.
A casa é bonita demais, as pessoas são educadas demais, tudo parece funcionar bem demais. E quando algo parece perfeito assim, a gente já sabe que vem problema.
O filme entende isso e se apoia nessa expectativa para conduzir um suspense que não tenta ser revolucionário, mas também não passa vergonha.
É um thriller que flerta sem pudor com o exagero. Tem cara de novelão, tem reviravolta anunciada, tem drama elevado ao cubo e, honestamente, funciona. Não porque seja brilhante, mas porque sabe entregar entretenimento sem fingir que está reinventando a psicologia humana.
A direção de Paul Feig parece constantemente em dúvida entre aprofundar o desconforto ou só deixar tudo mais palatável, e acaba escolhendo um meio termo seguro, previsível e confortável.
Sydney Sweeney carrega o filme nas costas com uma atuação intensa, nervosa, daquelas que fazem a gente torcer mesmo quando a personagem toma decisões questionáveis.
O resto do elenco não acompanha com a mesma força, o que deixa algumas tensões no ar, como se o filme prometesse mais do que realmente entrega.
A atmosfera da casa Winchester ajuda, mas o medo nunca chega a morder de verdade. Ele ameaça. Mostra os dentes. Mas raramente ataca.
Quando o roteiro tenta chocar, opta pelo melodrama em vez do impacto psicológico. As reviravoltas vêm mais para confirmar suspeitas do que para virar o jogo. Ainda assim, há algo confortável em acompanhar essa história até o fim. Talvez porque a previsibilidade aqui não seja um defeito, mas parte do acordo.
A Empregada é clichê, é óbvia, é reconhecível. Mas também é envolvente, bem conduzida e fácil de assistir. Não muda sua vida, não te deixa pensando por dias, mas cumpre o que promete. E às vezes, isso já é o suficiente¨.
Além de Seyfried (Mamma Mia), Sweeney (Todos Menos Você) e Sklenar (É Assim Que Acaba), o filme conta com Michele Morrone (365 Dias).
O roteiro é de Rebecca Sonnenshine.








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