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CRÍTICA: JOVENS MÃES

CRÍTICA BY RAPHAEL RITCHIE: ¨O filme acompanha cinco adolescentes que dividem o mesmo espaço e a mesma condição de vida, mas não necessariamente os mesmos desejos ou perspectivas. 



Cada uma delas carrega uma história interrompida pela maternidade precoce e agora tenta entender o que fazer com essa nova vida, tanto a própria quanto a do bebê. 

A escolha de acompanhar todas ao mesmo tempo amplia a dimensão social do tema, mas também impõe uma certa diluição emocional.

O abrigo onde essas jovens vivem funciona como metáfora e cenário. Ele acolhe e protege, mas também controla, limita, impõe regras. 

Existe ali um cuidado institucional, mas também uma vigilância que questiona até que ponto essas meninas têm autonomia. 



O filme, nesse sentido, se aproxima de outras obras que já exploraram juventude, marginalidade e instituições com olhar direto, quase documental, como nos filmes dos irmãos Dardenne.

A maternidade aqui não é idealizada. Ela surge atravessada por medo, cansaço, incerteza. Tem afeto, tem carinho, mas também frustração, solidão e uma urgência de amadurecimento forçado. 

Algumas cenas são cruas, outras mais silenciosas, mas o que mais marca é a tentativa de cada uma encontrar um lugar onde possa ser mãe sem deixar de ser jovem. Ou talvez só um lugar onde possa ser.



E mesmo que o filme não se aprofunde demais em nenhuma das trajetórias individualmente, há força na repetição desses corpos jovens cuidando de corpos ainda menores, tentando construir um futuro dentro de um espaço que não foi exatamente escolhido. 

Há algo de comovente nessa tentativa de seguir em frente, mesmo quando o mundo parece já ter decidido quem elas vão ser. Quando o filme termina, não parece que chegamos ao fim de uma jornada, só que deixamos de acompanhar o que estava acontecendo¨.



Ao longo de quase 50 anos, os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardennes construíram uma carreira inteira com foco nas questões pessoais — e no humano. Acompanharam imigrantes, refugiados, a classe trabalhadora, as comunidades excluídas e dedicaram boa parte de sua filmografia aos dramas dos adolescentes, o que lhes rendeu duas Palmas de Ouro, além do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes deste ano por JOVENS MÃES que será distribuído no Brasil com exclusividade pela Vitrine Filmes.

O filme, que segue o cotidiano de cinco adolescentes grávidas que atravessam todo o tipo de conflitos familiares e dificuldades financeiras, é um dos destaques da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, festival que exibiu grande parte dos trabalhos da dupla e que, este ano, oferece aos Dardenne o Prêmio Humanidade.




"Com isso, celebramos o empenho dos irmãos belgas em expor o que a sociedade muitas vezes tenta deixar de lado, mas acima de tudo, por fazerem um cinema que se interessa pelas pessoas e seus gestos que resistem, com elementos de uma obra autoral, conceitual e sentimental", justificou a Mostra no anúncio oficial.

Com estilo realista e poética humanista, os Dardenne constroem em JOVENS MÃES um retrato coletivo de resistência, em que o ato de cuidar de um filho se confunde com a tentativa de reconstruir a própria identidade.



“Queríamos filmar essas jovens não como personagens, mas como pessoas — vivas, únicas, resistindo a serem enquadradas”, disseram os cineastas em Cannes.

Filmado em locações reais, com luz natural e um elenco de estreantes, o filme tem estreia prevista para janeiro de 2026 e reforça o compromisso da Vitrine Filmes em trazer ao público brasileiro o melhor do cinema autoral contemporâneo, com obras de relevância ética e estética no cenário mundial.

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