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CRÍTICA: ¨ATO NOTURNO¨

 Crítica by Jhow Foster: ¨"Ato Noturno" confirma a dupla Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (de Tinta Bruta) como os mestres contemporâneos do "neo-noir subtropical".



O filme não é apenas um suspense; é uma experiência sensorial que utiliza o corpo e o desejo como ferramentas de subversão política.


​O coração do filme pulsa na química — ora explosiva, ora gélida — entre seus três pilares:

​Gabriel Faryas (Matias): O grande destaque do longa. Faryas entrega uma atuação vulnerável e ambiciosa como o jovem ator que vê sua identidade se diluir entre o palco e a vida real. Sua capacidade de transmitir desejo apenas pelo olhar é magnética.

​Cirillo Luna (Rafael): Como o político em ascensão que vive uma vida dupla, Luna traz uma densidade necessária. Ele foge do estereótipo do vilão, construindo um homem sufocado por convenções sociais que só encontra liberdade no risco.

​Henrique Barreira (Fabio): Barreira completa o triângulo com uma energia instigante, servindo como o contraponto de tensão na indústria do entretenimento, onde a lealdade é uma moeda de troca cara.

​Diferente de produções que tratam o sexo de forma puritana ou meramente gratuita, "Ato Noturno" abraça um tom erótico constante. As cenas de sexo gay são filmadas com uma crueza elegante, onde o fetiche por lugares públicos funciona como uma metáfora poderosa: em um mundo que tenta esconder essas existências, o ato de se expor torna-se o ápice do prazer e do perigo. A câmera de Luciana Baseggio trata os corpos como paisagens, reforçando que, ali, o desejo é indissociável do risco.



​O filme brilha ao traçar um paralelo entre a encenação artística e a encenação política. A rivalidade na indústria do teatro e da TV é retratada de forma ácida, mostrando como os personagens precisam "performar" o tempo todo para sobreviver.

​No palco, busca-se a verdade através da mentira.

​Na política e na mídia, usa-se a mentira para mascarar a verdade.

​Essa dinâmica transforma o filme em um thriller político sofisticado. A trama de chantagem e vigilância que se desenrola no submundo de Porto Alegre mostra que, em uma sociedade de aparências, o segredo é a arma mais letal.

​ Ato Noturno é um filme corajoso que não pede licença. É visualmente arrebatador e politicamente afiado, provando que o cinema nacional está mais vivo (e quente) do que nunca¨.

Filmado e ambientado em Porto Alegre, ATO NOTURNO constrói um contraste entre espaços pessoais e íntimos da capital e lugares icônicos da cidade, como o Parque da Redenção, a Avenida Mauá, o Theatro São Pedro e a Praça da Matriz. Essa composição cria uma paisagem que dialoga diretamente com a vida dupla dos personagens: homens que transitam entre a rotina pública e experiências íntimas vividas à margem da visibilidade social.




Matias (Gabriel Faryas) é um ator ambicioso que integra uma companhia teatral em Porto Alegre. Quando surge a notícia de que uma grande série de TV será filmada na cidade, a rivalidade com Fábio (Henrique Barreira), colega de cena e de apartamento, se intensifica: ambos desejam o papel que pode mudar suas trajetórias.

Fora do palco, Matias se envolve com Rafael, que mais tarde revela ser um político em ascensão. À medida que ambição e desejo se cruzam, os dois passam a viver sob constante vigilância, divididos entre a construção de suas imagens públicas e seus desejos que agora precisam permanecer escondidos. Entre o teatro, a política e a noite, Ato Noturno acompanha personagens presos a diferentes formas de encenação, numa jornada de erotismo e perigo.

“Por mais que o filme se enquadre nesse gênero de um neo noir e um thriller erótico, que são gêneros mais ligados ao cinema norte-americano, um consenso que a gente tem ouvido bastante é como conseguimos pegar esses gêneros e fazer deles algo contemporâneo, queer e muito brasileiro. Um neo noir subtropical”, reflete Marcio Reolon. “O Brasil é isso: a gente vive rodeado por essas potências de desejo, violências e essa política atravessando as nossas vidas o tempo todo”, completa Filipe Matzembacher.




Embora tratem de experiências universais, todos os longas dos diretores até aqui foram ambientados em alguma região do estado do Rio Grande do Sul. “Beira-Mar” foi rodado majoritariamente no litoral, enquanto os demais, foram filmados na capital gaúcha, inclusive o ATO NOTURNO, que consolida a ligação dos cineastas com suas origens.

ATO NOTURNO vem percorrendo todos os cantos do mundo e levando uma nova cara da cidade de Porto Alegre. O longa estreou no Festival de Berlim, passou por vários continentes em diversos festivais e se consolidou como um dos grandes destaques da edição 2025 do Festival do Rio, quando levou três Troféus Redentor: Melhor Ator para o estreante em longas Gabriel Faryas, Melhor Roteiro para Matzembacher e Reolon e Melhor Fotografia para Luciana Baseggio. Além disso, a produção ainda foi eleita o Melhor Filme do Prêmio Felix, dedicado a obras com temática LGBTQIAPN+.

Com distribuição garantida no Brasil pela Vitrine Filmes, ATO NOTURNO será lançado nos cinemas em 15 de janeiro, através do projeto Sessão Vitrine Petrobras.

SINOPSE
Um ator e um político vivem um caso em sigilo e, juntos, descobrem ter fetiche por sexo em lugares públicos. À medida que se aproximam do sonho da fama, mais intenso se torna o desejo de se colocarem em risco.

FICHA TÉCNICA
Título Original: Ato Noturno
Título Internacional: Night Stage
Ano: 2025
Idioma Original: Português
Gênero: Drama, Thriller
Duração: 117 min
Formato: DCP, 2K, Scope, Cor

Empresa produtora: Avante Filmes

Empresas co-produtoras: Vulcana Cinema

Agente de Vendas Internacional: m-Appeal

Distribuição Brasil: Vitrine Filmes

Financiamento: FSA

Laboratórios e Mercados: 18º Berlinale Co-Production Market 2021; Ventana Sur 2020 - Proyecta

Festivais: 75º Berlin International Film Festival - Panorama - World Premiere

Equipe:
Direção: Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
Roteiro: Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
Produção: Jessica Luz, Paola Wink, Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
Produção Executiva: Paola Wink e Jessica Luz
Direção de Fotografia: Luciana Baseggio
Montagem: Germano de Oliveira, EDT.
Direção de Arte: Manuela Falcão
Desenho de Som e Mixagem: Tiafo Bello
Música Original: Thiago Pethit, Arthur Decloedt e Charles Tixier

Elenco:
Matias: Gabriel Faryas
Rafael: Cirillo Luna
Fabio: Henrique Barreira
Camilo: Ivo Müller
Larissa: Larissa Sanguiné
Pâmela Almeida: Kaya Rodrigues
Sofia Alcântara: Gabriela Greco

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