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CRÍTICA: EXTERMÍNIO - O TEMPLO DOS OSSOS

 Crítica Raphael Ritchie: ¨Extermínio: O Templo dos Ossos escancara uma Inglaterra onde o colapso já não é novidade, ele virou método.



O Vírus da Fúria segue como pano de fundo, mas o que realmente assusta aqui é a forma como os sobreviventes reorganizam a violência, transformando medo em estrutura e barbárie em ritual.


O filme tenta, com clareza, reinventar a franquia. Menos correria, menos explosões de pânico imediato, e mais atenção à selvageria organizada que nasce do vazio, seitas improvisadas, códigos próprios, violência com sentido quase sagrado.

Como esperado, a narrativa desenvolve o grupo apresentado no final do filme anterior e retoma Ian, agora como figura central na criação do perturbador Templo dos Ossos, um símbolo direto de como a civilização apodrece antes mesmo de desaparecer por completo.

A direção de Nia DaCosta aposta em uma estética mais psicológica, incômoda, quase sufocante. Há imagens fortes e ideias inquietantes, mas o ritmo nem sempre sustenta a tensão que o terror pos apocaliptico pede, e inevitavelmente sua abordagem soa menos pulsante do que a de Danny Boyle, referência incontornável da saga.




No centro disso tudo está Ralph Fiennes, que entrega um Dr. Kelson sólido, contido e carregado de cansaço ético. Sua busca por uma possível cura dá peso emocional ao filme e sustenta longos trechos em que a narrativa parece se alongar além do necessário.

Como capítulo intermediário, O Templo dos Ossos funciona claramente como elo entre o primeiro e o terceiro filme dessa nova trilogia. A ambição de discutir horror social e moral é evidente, embora o terror visceral, marca registrada da franquia, apareça com menos frequência do que se esperaria.

Há sequências visualmente poderosas e momentos de tensão genuína, mas o conjunto soa irregular quando comparado aos picos de ansiedade de A Evolução.




Para fãs, o filme entrega mitologia, expansão de universo e quebra de expectativas. Isoladamente, pode não impactar tanto. Mas como peça de um todo maior, deixa marcas incômodas e necessárias¨.

SINOPSE
Expandindo o universo criado por Danny Boyle e Alex Garland em Extermínio: A Evolução – e virando esse mundo de cabeça para baixo – Nia DaCosta dirige Extermínio: O Templo dos Ossos.

Na continuação dessa história épica, Dr. Kelson (Ralph Fiennes) se encontra em uma nova e chocante relação – com consequências que poderiam mudar o mundo como eles o conhecem – e o encontro de Spike (Alfie Williams) e Jimmy Crystal (Jack O'Connell) se torna um pesadelo do qual ele não consegue escapar.

No universo de O Templo dos Ossos, os infectados não são mais a maior ameaça para a sobrevivência – a desumanidade dos sobreviventes se torna mais aterrorizante.
FICHA TÉCNICA
Direção: Nia DaCosta
Roteiro: Alex Garland
Produção: Andrew Macdonald, Peter Rice, Bernard Bellew, Danny Boyle, Alex Garland
Produção executiva: Cillian Murphy
Elenco: Ralph Fiennes, Jack O'Connell, Alfie Willians, Erin Kellyman e Chi Lewis-Parry

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