Crítica by Raphael Ritchie: ¨Existe algo de imediatamente estranho e sedutor na ideia de um filme que escolhe o tênis de mesa como palco para falar de ambição.
Em Marty Supreme, ambientado na Nova York dos anos 1950, esse estranhamento não é acidente, é método.
Marty Mauser aposta tudo em um esporte visto como menor, quase descartável, para tentar reinventar a própria vida.
O ping pong nunca é o ponto final, mas o reflexo de algo maior: ego, obsessão e a fé quase cega de que qualquer sonho merece ser levado ao limite.
A partir daí, o filme deixa claro que não está interessado em seguir a cartilha do drama esportivo tradicional. O que vemos é um estudo de personagem, um retrato desconfortável de ambição desmedida, diretamente ligado ao mito do sonho americano.
Marty não quer apenas vencer partidas. Ele quer ser visto, reconhecido, validado. Cada vitória parece insuficiente, cada conquista exige outra logo em seguida, como se o sucesso nunca bastasse.
É nesse terreno instável que Timothée Chalamet constrói uma atuação magnética. Seu Marty é carismático e exaustivo, intenso e autocentrado, difícil de defender, mas impossível de ignorar.
Chalamet sustenta o filme com uma energia inquieta, que nos puxa para perto ao mesmo tempo em que testa nossa paciência, exatamente como o próprio personagem faz com quem cruza seu caminho.
Essa inquietação se estende à direção, que mistura comédia dramática, esporte e estudo de caráter num ritmo caótico e imprevisível.
A influência dos Safdie Brothers é evidente: intensidade emocional constante, narrativa acelerada e a sensação de que tudo pode sair do controle a qualquer momento.
Em muitos momentos, isso fascina. Em outros, revela excessos. O roteiro carrega gorduras visíveis que poderiam ser aparadas sem prejuízo real à experiência.
A presença de Gwyneth Paltrow e de antagonistas excêntricos adiciona cor e espetáculo, ainda que nem sempre sustente profundidade além da vitrine da ambição em estado bruto.
Para parte do público, essa insistência na obsessão e a recusa em suavizar o anti herói podem soar desgastantes, criando até uma resistência ativa ao próprio Marty, mesmo quando sua energia é contagiante.
Marty Supreme se equilibra entre celebração da determinação e comentário ácido sobre a obsessão americana por grandeza. Um filme intenso, irregular e provocador, daqueles que fascinam e irritam quase na mesma medida¨.
Grande destaque para a temporada de premiações, MARTY SUPREME concorre em oito prêmios no Critics Choice Awards, incluindo Melhor Filme, e três categorias no Globo de Ouro, são elas: Melhor Filme (Comédia), Melhor Ator (Comédia) para Timothée Chalamet e Melhor Roteiro.
O longa conta com distribuição da Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina, e estreia em 22 de janeiro, com sessões antecipadas a partir do dia 8.






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