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CRÍTICA: O PRIMATA

Crítica by Raphael Ritchie:  ¨Em O Primata, o horror nasce de um gesto simples e quase doméstico: voltar para casa. Lucy retorna da faculdade para passar férias com a família e reencontra Ben, o chimpanzé de estimação criado como parte daquele núcleo afetivo.




O que deveria ser um período de descanso, festas e reconexão se converte rapidamente em um pesadelo claustrofóbico quando Ben, infectado e tomado por uma fúria inexplicável, passa a caçar aqueles que antes o acolhiam.


A direção aposta em um terror à moda antiga, combinando sobrevivência e animal attack sem pudor, com uma escalada constante de tensão que remete a clássicos do gênero.

Não há aqui a preocupação de subverter regras ou buscar sofisticação temática excessiva.



O filme quer colocar seus personagens encurralados, feridos e desesperados, e faz isso com eficiência.

O ponto de partida, aliás, é seu maior acerto. Transformar um chimpanzé querido em ameaça mortal funciona como metáfora direta do medo primitivo e da fragilidade dos laços familiares e de amizade.




A ideia de que aquilo que é íntimo pode, de repente, se voltar contra você sustenta o clima de paranoia que atravessa toda a narrativa.

Com apenas 89 minutos, O Primata mantém um ritmo seco e direto, sem gordura. Em contrapartida, essa concisão cobra seu preço.




Alguns personagens carecem de maior desenvolvimento emocional, existindo mais como peças no tabuleiro do horror do que como figuras plenamente construídas.

As cenas de ataque e perseguição são o grande destaque. Visualmente impactantes, elas ganham força com o uso evidente de efeitos práticos no macaco, o que dá peso físico às cenas e evita o artificialismo digital.




Em certos momentos, o filme flerta com o espírito do filme B, incluindo doses de humor involuntário que podem divertir fãs do subgênero, mas talvez afastem quem procura uma narrativa mais refinada.

Violento, tenso e sem respiro, O Primata não pede desculpas pelo que é: um horror cru, primal e eficiente¨.



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