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CRÍTICA: TRANSAMAZÔNIA- 8 DE JANEIRO.

CRÍTICA BY RAPHAEL RITCHIE: ¨Transamazônia acompanha Rebecca Byrne, uma jovem curandeira marcada por um passado traumático, que vive e lidera comunidades isoladas da Floresta Amazônica ao lado do pai missionário.




Quando madeireiros ilegais avançam sobre terras indígenas, o cotidiano frágil dessa região se rompe, revelando um conflito em que fé, poder e sobrevivência se chocam de maneira direta e incômoda.

Sob a direção de Pia Marais, o filme recusa qualquer aproximação superficial. A narrativa se constrói com paciência e exige atenção plena do espectador, apostando em camadas humanas e políticas que se acumulam mais pelo silêncio e pela observação do que pela exposição direta.

A Amazônia não aparece apenas como paisagem imponente, mas como um território vivo, atravessado por disputas históricas, tensões culturais e interesses econômicos que moldam as relações entre seus habitantes.

A relação entre Rebecca e o pai vai além do conflito familiar tradicional. Ela sugere embates profundos entre crença, identidade e autoridade, refletindo dilemas contemporâneos bastante reais, especialmente quando a fé se confunde com poder e controle.



Já a presença dos madeireiros ilegais expõe o núcleo do drama moderno envolvendo desmatamento, violência e soberania territorial, funcionando como força desestabilizadora constante.

O ritmo contemplativo é, ao mesmo tempo, virtude e obstáculo. Para quem aprecia um cinema sensorial, que valoriza atmosferas e pausas, o filme oferece uma experiência densa e envolvente. Para outros, essa cadência pode soar excessivamente lenta, afastando qualquer expectativa de progressão narrativa mais direta.

A ambiguidade moral dos personagens reforça essa proposta. O filme convida a pensar, não a julgar rapidamente, e é dessa hesitação ética que emerge seu impacto emocional.


As atuações de Helena Zengel e Jeremy Xido sustentam bem essas tensões, traduzindo conflitos complexos em emoções palpáveis. Ainda assim, o sotaque carregado de alguns personagens e os trechos em inglês, por vezes, comprometem a clareza do que está sendo dito, criando certa distância do espectador¨.

No conjunto, Transamazônia é uma obra que provoca mais reflexão do que conforto e encontra justamente aí tanto sua força quanto suas limitações.O longa de ficção Transamazônia, de Pia Marais, será lançado nos cinemas, no dia 08 de janeiro, após participar da Mostra COP 30, no Festival do Rio 2025.





O filme é uma coprodução da França, Alemanha, Suíça e Tailandesa com o Brasil, e também participou da Seleção Oficial do Locarno Film Festival e da Mostra Panorama Mundial no Festival do Rio 2024. Transamazônia tem produção da Gaïjin, Cinéma Defacto, Aldabra Films e será distribuído pela Filmes do Estação.

Com diálogos em inglês e português, a trama apresenta a história de Rebecca, que sobreviveu à queda de um avião na Amazônia e é considerada um milagre vivo na comunidade religiosa pentecostal liderada por seu pai, o missionário estrangeiro Lawrence Byrne. O filme uma coprodução entre França, Alemanha, Suíça, Taiwan e Brasil.

No elenco: Helena Zengel, Jeremy Xido, Sabine Timoteo,Sérgio Sartório, Iwinaiwa Assurini, Pirá Assurini, João Victor Xavante, Kamya Assurini, e os brasileiros Hamã Sateré, Rômulo Braga, Philipp Lavra.





Declaração da diretora

Meu fascínio pela história real de uma jovem que sobreviveu a um acidente de avião e a uma queda vertiginosa na floresta amazônica, na década de 1970, foi o ponto de partida de Transamazônia. Na época, essa sobrevivência milagrosa a transformou em celebridade da noite para o dia, e pessoas do mundo todo passaram a se identificar com ela, tentando entender como foi possível sobreviver.

Partindo da ideia de uma jovem que escapa de um acidente aéreo e se torna famosa involuntariamente, fiz uma viagem de pesquisa pela Rodovia Transamazônica para avaliar se o filme poderia ser ambientado no Brasil. Acompanhei um jornalista que havia escrito extensamente sobre um conflito crescente entre uma comunidade indígena e uma cidade madeireira vizinha. Visitamos os dois lados, e alguns dos acontecimentos que presenciei serviram de base para o conflito central do filme e inspiraram parte dos personagens que o habitam.

Sinopse

Rebecca, filha do missionário Lawrence Byrne, foi declarada um milagre por ter sobrevivido a um acidente de avião na Floresta Amazônica quando criança. Anos depois, ela se torna uma curandeira milagrosa, sustentando a missão com sua fama crescente. Quando madeireiros ilegais invadem as terras dos povos indígenas que estão sendo evangelizados, o pai de Rebecca coloca a família no epicentro de um conflito que só tende a piorar.

Equipe Técnica

Diretora: Pia Marais

Roteiro: Pia Marais, Willem Drost, MARTIN ROSEFELDT

Produtores: Sophie Erbs, Tom Dercourt, Pierrick Baudouin, Murielle Thierrin, Claudia Steffen, Christoph Friedel, Jean-Marc Fröhle, Stefano Centini, Chuti Chang, Camilo Cavalcanti, Viviane Mendonça, Jorane Castro, Pia Marais, Alex C. Lo, Guilherme Cezar Coelho, Fernando Loureiro

Coprodutores: Christine Vial-Collet, Thomas Jaubert

Produtores executivos: Annette Fausbøll, Jean-Alexandre Luciani, Joanne Goh, Keong Low

Produtores associados: Povo Assurini

Direção de fotografia: Mathieu de Montgrand

Som: Dana Farzanehpour, Andreas Hildebrandt, Frank Cheng

Direção de arte: Petra Barchi

Música: Lim Giong

Editores: Matthieu Laclau, Yann-Shan Tsai

Figurinista: Chiara Minchio

Efeitos especiais: ArChin Yen

Produtores de elenco: Isabella Odoffin, Cláudio Barros, Gabriel Bortolini, Ila Giroto

Duração 112 min

Elenco

Helena Zengel, Jeremy Xido, Sabine Timoteo, Hamã Sateré, Rômulo Braga, Philipp Lavra, Sérgio Sartório, Iwinaiwa Assurini, Pirá Assurini, João Victor Xavante, Kamya Assurini


Helena Zengel - atriz

Helena Zengel, nascida e criada em Berlim, começou sua carreira de atriz aos 5 anos. Ela conseguiu seu primeiro papel principal aos 8 anos em Die Tochter (A Filha), de Mascha Schilinski. Em 2019, Zengel estrelou como Benni, uma criança traumatizada, em System Crasher, de Nora Fingscheidt, que estreou na Berlinale. Ela recebeu o Prêmio do Cinema Alemão de Melhor Atriz, em 2020. Após o sucesso internacional do filme, Zengel foi escalada pela Universal Pictures para o faroeste americano News of the World, de Paul Greengrass, ao lado de Tom Hanks.Por este papel, ela recebeu indicações ao Globo de Ouro, ao Screen Actors Guild Award e ao Critics Choice Award de Melhor Atriz Coadjuvante.

Zengel também dublou suas falas em inglês nas versões italiana, alemã, francesa e espanhola do filme. Em 2021, Zengel apareceu como Nina Cutter em A Christmas Number One, uma comédia romântica com Freida Pinto e Iwan Rheon. Em 2021, também estrelou ao lado de Willem Dafoe no filme de aventura e fantasia da A24, The Legend of Ochi. Em 2022, ela desempenhou um papel principal na série alemã original da Amazon, Die Therapie, baseada em um best-seller de Sebastian Fitzek.


Hamã Sateré - ator

Hamã Sateré é descendente de duas etnias indígenas ameríndias, os Tikuna, por parte de mãe, e os Sateré-Mawé, por parte de pai.

É o coprotagonista do longa-metragem “Transamazônia”, de Pia Marais, filme que teve sua estreia mundial no Festival de Locarno 2024 e no Brasil estreou no Festival do Rio. Está no elenco da segunda temporada da série “Dom”, de Breno Silveira, da Prime Video.


Philipp Lavra - ator

Philipp Lavra é artista carioca, 40 anos. Há quinze anos iniciou seus estudos em teatro, formando-se como ator pela CAL – Casa das Artes de Laranjeiras, onde também descobriu a fotografia — uma linguagem que passou a integrar sua pesquisa artística. No cinema, atuou em mais de dez longas-metragens, entre eles Ainda Estou Aqui (2024), vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional 2025, e A Batalha da Rua Maria Antônia (2023), premiado como Melhor Filme na Première Brasil do Festival do Rio e reconhecido em festivais internacionais como Valladolid e Atlanta. Na televisão, participou da novela Garota do Momento e das séries "Gilda” e "Notícias Populares".


Rômulo Braga - ator

Com mais de 30 anos de carreira, Rômulo Braga é um ator brasileiro de destaque no cinema, no teatro e na televisão. No cinema, Rômulo esteve na seleção do festival de Rotterdam com “Desterro”, de Maria Clara Escobar, e no Festival Internacional de Cinema de Berlim com “Joaquim”, de Marcelo Gomes. Ele ganhou prêmios como Melhor Ator do BRICS Film Festival 2022 e do Festival do Rio 2021 com o longa “Sol”, Melhor Ator no Festival de Gramado 2018, Melhor Ator no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2016 e Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Cinema do Rio 2014. Os seus trabalhos seriados incluem “DNA do Crime” – Temporadas 1 e 2 (Netflix), “Maria e o Cangaço” (Disney+), “Rota 66” (Globoplay), “Não Foi Minha Culpa” (Star+) e “Aruanas” (TV Globo e Globoplay). No cinema, esteve no elenco de “Homem com H”, de Esmir Filho, “Manas”, de Marianna Brennand, “O Rio do Desejo”, de Sérgio Machado, “Carvão”, de Carolina Markowicz, “Valentina”, de Cássio Pereira dos Santos, “Currais” de David Aguiar e Sabina Colares, entre outros.

Pia Marais - diretora

Pia Marais é escritora e diretora, natural da África do Sul e da Suécia. Ela escreveu e dirigiu 3 longas-metragens. Seu primeiro longa, The Unpolished, ganhou o Prêmio Tigreno Festival de Cinema de Rotterdam em 2007. At Ellen’s Age foi exibido na competição em Locarno em 2010 e em mais de 30 festivais, incluindo Toronto. Layla Fourie foi ambientado em seu país natal, a África do Sul, e estreou na competição do Festival de Berlim de 2013, recebendo uma Menção Especial do Júri. Em 2018, ela fez seu primeiro documentário, Cari Compagni, para a Arte. Transamazônia é seu quarto longa-metragem.


Filmografia

2013 Layla Fourie - Competição do Festival Internacional de Cinema de Berlim - Menção Especial do Júri

2010 At Ellen’s Age -Festival de Cinema de Locarno

2007 The Unpolished - IFFR - Prêmio Tigre de Ouro

Associação Alemã de Críticos de Cinema - Prêmio de Melhor Estreia

Filmes do Estação - distribuidora

Filmes do Estação, distribuidora do Grupo Estação fundada em 1990, é responsável por mais de 300 lançamentos de filmes independentes, brasileiros e internacionais, de sucesso de público e crítica, além de importantes relançamentos de clássicos em cópias restauradas.


Em 2024 retornou às atividades com títulos que figuraram entre os melhores do ano, como “Orlando, Minha Biografia Política”, de Paul B. Preciado, “O Diabo na Rua no Meio do Redemunho”, de Bia Lessa, e “Malu”, de Pedro Freire, praticamente unanimidade entre público e crítica. “Malu” venceu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante (Carol Duarte e Juliana Carneiro da Cunha) no Festival do Rio, além de Melhor Primeira Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz Coadjuvante para Juliana Carneiro da Cunha no Grande Otelo 2025, oferecido pela Academia Brasileira de Cinema.


No primeiro semestre de 2025, a distribuidora lançou 15 filmes internacionais, com destaque para o indiano “Sempre Garotas”, de Suchi Talati, vencedor do Prêmio do Público de Melhor Filme e do Prêmio Especial do Júri de Melhor Atriz no Festival de Sundance 2024, para “Uma Bela Vida”, que superou 35 mil espectadores e é o mais recente filme do renomado Costa-Gavras, e para o documentário palestino “Guarde Seu Coração na Palma da Mão e Caminhe”, que estreou na Mostra ACID Cannes.


A Filmes do Estação também mantém um trabalho consistente com relançamentos de clássicos, como "Em Busca do Ouro", de Charlie Chaplin, a mostra “Truffaut por Completo” e a coleção Agnès Varda, e prepara para 2026 lançamentos aguardados como “As Vitrines”, de Flavia Castro, e “A Cronologia da Água”, primeira direção de Kristen Stewart, que estreou na Mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes e “Pequenas Criaturas” de Anne Guimarães, Melhor Filme do Festival do Rio de 2025.

Com parcerias desenhadas desde a fase de desenvolvimento dos projetos, a distribuidora se consolida como uma das principais responsáveis pela circulação de cinema autoral no Brasil, aliando estratégias de lançamento que buscam ousadia e excelência. Para a Filmes do Estação, cinema é arte, liberdade e pluralidade. É também diversão, paixão, razão de culto e um espaço para aventuras e descobertas.


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