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CRÍTICA: SIRÃT

CRÍTICA BY RAPHAEL RITCHIE: ¨¨“Sirāt” é um filme que parece pulsar junto com o som que o move.

No início, quase sem palavras, ele nos joga em uma travessia árida pelo deserto marroquino, onde um pai e um filho buscam por Mar, filha e irmã desaparecida após uma rave.



A jornada tem algo de ritual, como se cada passo fosse uma batida que ressoa no corpo, no tempo e na memória.

O filme aproveita essa ausência de fala para criar uma atmosfera hipnótica que mistura o calor da areia com a frieza de uma perda que nunca se explica completamente.


Visualmente, é deslumbrante. O deserto funciona como palco e personagem, uma imensidão que engole e revela, onde cada traço humano parece pequeno demais. As cenas de rave surgem como explosões de cor, som e movimento, quase como se o filme alternasse entre transe e contemplação.



A batida grave reverbera não apenas nos corpos que dançam, mas também na narrativa, marcando o ritmo interno dos personagens, os impulsos, as pausas e os colapsos. Há momentos em que dá vontade de estar ali, no meio daquilo tudo, perdido e livre ao mesmo tempo, embalado por uma música que não termina nunca.

A dinâmica entre o garoto e o cachorro traz um respiro de ternura. Em meio à desorientação dos adultos, eles representam algo puro, um vínculo que resiste mesmo quando tudo o resto parece se dissolver.

São fragmentos de humanidade dentro de um cenário que insiste em testar seus limites físicos e emocionais.



Mas o filme também se perde em sua própria deriva. A estética e o ritmo, que inicialmente parecem aliados, começam a se chocar. Há trechos que se arrastam, que parecem presos em uma repetição de imagens belas, mas vazias.

O desfecho é aberto, talvez demais, como se o sentido da jornada se dissolvesse junto com a areia. O espectador precisa preencher sozinho os vazios da narrativa, o que para alguns é força, para outros, frustração.

Ainda assim, “Sirāt” desperta emoções intensas, mesmo quando não sabemos ao certo por quê. É um filme que mais se sente do que se entende, que prefere o impacto sensorial à explicação.

Há algo de inquietante em sua mistura de espiritualidade, psicodelia e perda. E, quando a música cessa e o deserto volta ao silêncio, o que fica é uma espécie de eco, o som grave de uma busca que talvez nunca se resolva, mas que continua reverberando dentro de quem assiste¨.




Aclamado longa dirigido por Oliver Laxe, “Sirât” chega nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, a 115 cinemas de 40 cidades em todas as regiões do país. Para celebrar a chegada do filme às telonas, a distribuidora Retrato Filmes informa que é um dos grandes destaques da atual temporada de premiações do cinema, com duas indicações ao Oscar: Melhor Filme Internacional e Melhor Som.

Produzido pela El Deseo, dos irmãos Pedro e Agustín Almodóvar, o filme tem um histórico impecável de reconhecimento. "Sirât" venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2025 e conquistou cinco troféus no European Film Awards, incluindo montagem e design de som.

A força da produção se confirmou com 11 indicações ao Prêmio Goya e duas ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme Internacional e Som.

No Brasil, a obra já havia brilhado como filme de abertura da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, com sessões lotadas e sucesso de crítica.




O amplo circuito de estreia reflete o enorme potencial do filme. Ao todo, são 115 salas recebendo o longa a partir de hoje. Confira as cidades contempladas por região e consulte a programação local para detalhes das sessões:

Norte: Belém (PA).
Nordeste: Afogados da Ingazeira e Recife (PE), Aracaju (SE), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Manaus (AM), Salvador (BA) e Teresina (PI).
Centro-Oeste: Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT) e Goiânia (GO).
Sudeste: Araraquara, Bauru, Campinas, Cotia, Jundiaí, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Carlos, São José dos Campos e São Paulo (SP), Belo Horizonte, Juiz de Fora e Poços de Caldas (MG), Niterói, Volta Redonda e Rio de Janeiro (RJ), e Vitória (ES)
Sul: Balneário Camboriú e Florianópolis (SC), Canoas, Caxias do Sul e Porto Alegre (RS), e Curitiba, Londrina e Maringá (PR).

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