Crítica by Raphael Ritchie: ¨Em Devoradores de Estrelas, a ficção científica volta a olhar para o espaço não apenas como território de espetáculo, mas como um enorme laboratório de ideias e emoções humanas.
A história começa com um despertar solitário. Um cientista abre os olhos dentro de uma nave, sem memória clara de quem é ou do que está fazendo ali. A partir desse ponto, o filme constrói um mistério que se revela aos poucos, acompanhando as lembranças fragmentadas do protagonista enquanto ele tenta compreender a dimensão da missão que carrega nas mãos.
A premissa é clássica dentro do gênero, mas o que sustenta o filme é a forma como essa jornada transforma ciência em drama. Cada descoberta, cada cálculo e cada experimento deixam de ser apenas conceitos abstratos e passam a funcionar como obstáculos reais dentro da narrativa.
O universo deixa de ser apenas cenário e passa a agir como um quebra cabeça gigantesco que precisa ser decifrado antes que o tempo acabe.
Grande parte da experiência depende da presença quase solitária do protagonista em cena. É ele quem conduz o ritmo emocional da história, alternando momentos de curiosidade científica, humor inesperado e o peso crescente da responsabilidade que lentamente volta à sua memória.
Existe algo profundamente humano nessa figura isolada no meio do vazio cósmico, tentando resolver problemas impossíveis enquanto conversa consigo mesmo para não enlouquecer.
Quando a narrativa introduz o encontro com outra forma de inteligência no espaço, o filme encontra seu ponto mais interessante. O alienígena que surge nessa equação não aparece como ameaça ou mistério sombrio, mas como uma presença surpreendentemente carismática.
A relação que nasce entre os dois personagens traz leveza, humor e uma dimensão emocional que transforma a missão em algo maior do que apenas salvar um planeta.
Ao longo da história, Devoradores de Estrelas toca em temas recorrentes da ficção científica. O espaço como metáfora para a solidão humana, a curiosidade científica como impulso fundamental da nossa espécie e a ideia de que o conhecimento muitas vezes nasce da colaboração entre diferentes formas de vida.
A escala cósmica da ameaça contrasta com a fragilidade daquele único homem tentando encontrar respostas no silêncio do universo.
O problema surge no ritmo. A narrativa possui momentos de contemplação e descoberta que funcionam muito bem isoladamente, mas a duração extensa do filme acaba criando a sensação de que certas passagens poderiam ser mais enxutas.
Em alguns trechos, a história parece se alongar além do necessário, o que pode tornar a experiência um pouco cansativa.
Ainda assim, quando o filme encontra equilíbrio entre espetáculo espacial e intimidade dramática, ele revela seu verdadeiro charme. No meio de estrelas morrendo e cálculos impossíveis, a história acaba lembrando que talvez o maior motor da ciência seja algo muito simples. A vontade de entender o universo. E, principalmente, de não estar sozinho nele¨.
Dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, criadores e vencedores do Oscar® pela franquia “Aranhaverso”, o filme é centrado na inesperada missão atribuída ao professor de ciências Ryland Grace (Ryan Gosling).
Ele é convocado para o Projeto Fim do Mundo, no espaço, a 11,9 anos-luz da Terra, para investigar o porquê de o Sol estar morrendo e impedir a extinção do planeta. No entanto, o que parecia uma jornada solitária é surpreendida por uma amizade inesperada.
Baseado no livro de Andy Weir, autor de “Perdido em Marte”, best seller do New York Times, “Devoradores de Estrelas” tem roteiro de Drew Goddard ("Perdido em Marte”), com produção de Amy Pascal, Ryan Gosling, Phil Lord, Christopher Miller, Aditya Sood, Rachel O’Connor e Andy Weir.
SINOPSE
O professor de ciências Ryland Grace (Ryan Gosling) acorda em uma espaçonave a anos-luz de casa, sem nenhuma lembrança de quem é ou como chegou ali. À medida que sua memória retorna, ele começa a descobrir sua missão: resolver o enigma de uma substância misteriosa que está fazendo o Sol morrer.
Ele precisará recorrer ao seu conhecimento científico e a ideias nada convencionais para salvar tudo na Terra da extinção… mas uma amizade inesperada pode significar que ele não terá que fazer isso sozinho.
FICHA TÉCNICA
Direção: Phil Lord e Christopher Miller.
Produção: Amy Pascal, p.g.a. Ryan Gosling, Phil Lord, p.g.a., Christopher Miller, p.g.a. Aditya Sood, p.g.a. Rachel O’Connor, p.g.a. Andy Weir.
Roteiro: Drew Goddard, baseado no romance de Andy Weir.
Produção Executiva: Patricia Whitcher, Drew Goddard, Sarah Esberg, Lucy Kitada, Nikki Baida, Ken Kao.
Apresentação: Amazon MGM Studios presents, a Pascal Pictures, General Admission/Waypoint, Lord Miller Production. A Phil Lord & Christopher Miller film.
Elenco: Ryan Gosling, Sandra Hüller, Lionel Boyce, Ken Leung, Milana Vayntrub.
Gênero: Ação, Aventura, Ficção Científica.









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