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CRÍTICA: NARCISO

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Em Narciso, a fantasia surge como um gesto de esperança diante de uma realidade dura demais para caber apenas no realismo.



A história acompanha um menino negro órfão que vive em um lar temporário e que, às vésperas do aniversário, precisa lidar com mais uma devolução no sistema de adoção. É nesse momento de fratura que aparece a bola de basquete mágica capaz de invocar um gênio disposto a realizar um desejo.

O que poderia soar como um artifício leve logo revela sua dimensão simbólica. O pedido de Narciso é simples e ao mesmo tempo profundamente humano. Ele quer uma família.

A estrutura narrativa aposta em uma lógica bastante clássica. Como em tantas histórias de gênios e desejos, aquilo que parece uma solução imediata começa a revelar consequências inesperadas.



O filme usa esse mecanismo quase como um conto moral contemporâneo, em que cada escolha abre espaço para pequenas lições sobre afeto, pertencimento e responsabilidade emocional. A fantasia não funciona como fuga da realidade, mas como tradução do imaginário infantil, esse território em que a esperança ainda acredita que algo extraordinário pode resolver dores muito concretas.

Nesse sentido, a mistura entre realismo social e elementos mágicos encontra momentos de delicadeza genuína. A câmera observa Narciso com uma atenção que valoriza o olhar da criança diante de um mundo que muitas vezes o trata como problema administrativo.

O filme também coloca no centro da narrativa a experiência de um menino negro dentro do sistema de adoção brasileiro, algo ainda pouco explorado pelo cinema nacional, e essa escolha carrega um peso importante de representatividade.




Ao mesmo tempo, a obra tropeça quando simplifica demais certos contrastes sociais. Em alguns momentos, personagens ricos e brancos surgem quase sempre associados a uma frieza emocional, enquanto a pobreza aparece como espaço de autenticidade e plenitude espiritual.

Esse desenho moral cria um certo incômodo porque transforma desigualdade em metáfora edificante, quando na prática ela continua sendo um problema estrutural que produz sofrimento muito real.

Ainda assim, Narciso encontra sua força quando retorna ao essencial. O desejo de pertencer, de ser escolhido e amado, atravessa todas as camadas da história e ressoa com uma verdade difícil de ignorar.




No fim das contas, por trás da bola mágica e do gênio, o filme fala de algo muito simples. Toda criança deveria ter um lugar onde pudesse chamar de casa¨.

“Narciso”, novo filme de Jeferson De (“Bróder”, “M8 – Quando a Morte Socorre a Vida”), terá pré-estreias seguidas de debate em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.

O longa subverte o mito do Narciso e apresenta a emocionante jornada de um menino negro e órfão em busca de identidade, pertencimento e do verdadeiro significado de família.

O filme tem produção da Buda Filmes e será lançado no Brasil pela Elo Studios, no dia 19 de março. Na trama, o menino Narciso enfrenta um momento difícil: acaba de ser devolvido por pais adotivos.




Como uma forma de animá-lo, Alexandre, uma das crianças do lar temporário, lhe dá de presente uma velha bola de basquete com poderes mágicos: se Narciso acertar três cestas, um gênio aparecerá para lhe conceder o que ele mais deseja. Seu desejo? Ter uma família.

“Narciso”, inédito no Brasil, já foi exibido para plateias estrangeiras no Vancouver Black Independent Film Festival e Montreal Independent Film Festival, ambos no Canadá; no Pan African Film Festival, em Los Angeles; e no Festival Fiesta Del Cine, em Nice, na França.

O elenco reúne Arthur Ferreira, Bukassa Kabengele, Ju Colombo, Faiska Alves, Diego Francisco, Fernanda Nobre. Conta com participações de Seu Jorge, Juliana Alves e Marcelo Serrado.

Ficha técnica:

Direção - Jeferson De

Roteiro - Jeferson De e Cristiane Arenas

Produção - Cristiane Arenas

Produção Executiva - Carlos Proença

Direção De Produção - Paula Alves

Direção De Fotografia - Lílis Soares

Direção De Arte - Belisa Bagiani

Montagem - Pedro Iglesias

Direção Musical - Pedro Dom

Edição De Som e Mixagem - Ariel Henrique

Figurinista - Lena Santana

Visagismo - Sonia Penna

Produção de Elenco - Nínive Kienteca

Técnico de Som - Douglas Vianna


Elenco:

Arthur Ferreira - Narciso

Bukassa Kabengele - Joaquim

Ju Colombo - Carmen

Faiska Alves - Alexandre

Diego Francisco - Naldo

Levi Asaf - Carlinhos

Teka Romualdo - Josefa

Fernanda Nobre - Luiza

Ernesto Piccolo - Jaime

Larissa Nunes - Lili

Isadora Iglesias - Isis

Participação especial:

Seu Jorge - Gênio

Juliana Alves - Sonia

Marcelo Serrado – Fernando

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