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CRÍTICA: A PEQUENA AMÉLIE

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Há filmes sobre infância que parecem interessados em contar o que aconteceu. E há filmes como A Pequena Amélie, que parecem mais interessados em nos lembrar de como o mundo já pareceu quando ainda estávamos descobrindo tudo pela primeira vez.




Inspirado no romance autobiográfico de Amélie Nothomb, o longa acompanha os primeiros anos da escritora belga no Japão dos anos 1960, período em que o pai trabalhava como diplomata. Mas a narrativa não se organiza como uma biografia tradicional. O que vemos é algo mais próximo de uma memória sensorial, uma coleção de percepções, pequenas descobertas e estranhamentos que, para uma criança, assumem dimensões quase filosóficas.

A diretora constrói o filme a partir desse ponto de vista infantil com uma delicadeza rara. O mundo não é apresentado como um espaço já compreendido, mas como um território de códigos misteriosos.




Gestos sociais, rituais culturais e pequenas regras do cotidiano ganham peso e fascínio quando observados pelo olhar curioso da pequena Amélie, que parece constantemente tentar decifrar o funcionamento silencioso do mundo ao seu redor.

Nesse processo, o Japão deixa de ser apenas cenário e se transforma em parte essencial da formação da personagem. A cultura local aparece simultaneamente como fascínio e estranhamento, algo que seduz e desafia a protagonista enquanto ela tenta compreender seu próprio lugar dentro daquele ambiente. O filme entende que identidade também nasce desses encontros inesperados entre pertencimento e deslocamento.



A encenação acompanha essa proposta com imagens delicadas e um ritmo contemplativo, interessado menos em conduzir conflitos dramáticos e mais em registrar a intensidade silenciosa das descobertas da infância. Em alguns momentos, essa escolha torna a narrativa mais episódica, como se estivéssemos folheando lembranças que não necessariamente obedecem a uma lógica dramática tradicional.

Mas talvez seja justamente aí que o filme encontre sua força. Porque histórias sobre infância raramente revelam muito sobre os acontecimentos em si. O que elas revelam é o modo como aprendemos a olhar para o mundo¨.

Sinopse: O mundo é um mistério desconcertante e tranquilo para Amélie, uma garotinha belga nascida no Japão. À medida que desenvolve um profundo apego à governanta de sua família, Nishio-san, Amélie descobre as maravilhas da natureza, bem como as verdades emocionais ocultas sob a superfície da vida idílica de sua família como estrangeiros na Terra do Sol Nascente.




Com uma das melhores notas de aprovação da crítica especializada no Rotten Tomatoes, com 98% de aprovação, o longa-metragem de animação participou dos principais festivais internacionais, incluindo mostras paralelas voltada à animação no Festival de Cannes e Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), e foi o grande vencedor do Prêmio Júri 2025 do Animation Is Film Festival, em Los Angeles. Também foi indicado ao Critics Choice Awards e eleito a melhor animação do ano pelos críticos de Los Angeles.

A premiada animação francesa A PEQUENA AMÉLIE (Amélie et la Métaphysique Des Tubes | Little Amélie or the Character of Rain) é voltada para toda a família e estreia exclusivamente nos cinemas brasileiros no dia 12 de março, com distribuição da Mares Filmes e a Alpha Filmes.




A PEQUENA AMÉLIE
França | 2025 | 75 min. | Animação | 06 anos

Título Original: Amélie et la Métaphysique Des Tubes
Direção: Maïlys Vallade, Liane-Cho Han Jin Kuang
Roteiro: Amélie Nothomb, Liane-Cho Han Jin Kuang, Aude Py
Vozes (Original): Loïse Charpentier, Victoria Grobois, Yumi Fujimori
Distribuição: Mares Filmes | Alpha Filmes



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