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“O Velho Fusca” aposta em afeto, nostalgia e reconciliação entre gerações, diz elenco em coletiva.

By Raphael Ritchie: ¨Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, elenco e equipe de O Velho Fusca apresentaram o longa como uma história movida por memória, afeto e reconciliação familiar.


Elenco de O VELHO FUSCA


Com estreia marcada para 19 de março nos cinemas, o filme foi descrito por seus realizadores como uma produção que usa o carro do título não apenas como elemento narrativo, mas como símbolo de vínculos, heranças emocionais e encontros entre diferentes gerações.


Quem abriu a conversa foi o diretor Emiliano Ruschel, que falou sobre o longo processo até a chegada do filme às telas e resumiu o momento como a concretização de um trabalho construído com paciência ao longo dos anos.


Caio Manhente



“É extremamente importante esse dia, o dia que a gente está batalhando por ele. Foram pelo menos uns três anos, quatro, talvez, se a gente começar a pensar entrando de roteiro e tudo mais”, afirmou. “É emocionante poder ter essa sensação de que o trabalho está realizado, está do jeito que a gente sempre tinha imaginado.”

A coletiva foi mediada pela jornalista Renata Muniz, que destacou o tom leve e emocional do longa antes de apresentar o elenco formado por Caio Manhente, Giovana Chaves, Christian Malheiros, Rodrigo Ternevoy, Kim Sends, Cleo e o próprio Ruschel.

Giovana Chaves



Desde as primeiras falas, ficou claro que o Fusca ocupa um lugar central na proposta do filme. Mais do que um objeto de cena, ele funciona como elo entre os personagens e como espelho dos sentimentos que atravessam a narrativa. Ao comentar essa dimensão simbólica, Emiliano explicou que a escolha do carro foi pensada justamente por sua força afetiva no imaginário popular.

“O Fusca foi escolhido porque ele é um dos grandes ícones de veículo, um dos carros mais vendidos do mundo”, disse. “Eu acho que quase toda a família em algum momento teve um fusquinha, ou alguém da família teve um fusquinha, ou tem aquela lembrança de andar no fusquinha.”

Cléo


O diretor ressaltou ainda que o carro também sintetiza a trajetória emocional do longa. “Estão reconstruindo o carro, mas estão reconstruindo as relações também”, afirmou, ao comentar a maneira como a restauração do veículo acompanha a reaproximação entre os personagens.

Essa leitura foi reforçada por Cleo Pires, que definiu o Fusca como uma espécie de materialização concreta do afeto familiar. “Ele é a metáfora. Eu queria falar também dele como essa ferramenta de afeto, essa concretização do afeto da família em geral”, disse a atriz.

Christian Malheiros



Ao longo da coletiva, elenco e direção também falaram sobre o modo como o filme se aproxima de uma sensibilidade mais nostálgica sem, no entanto, se afastar do presente. Em vez de apostar em signos tecnológicos ou elementos muito marcados pela contemporaneidade, a produção preferiu construir um universo mais limpo e atemporal, sustentado principalmente pelas relações humanas.

Para Caio Manhente, isso acontece porque o centro da história não está em sua ambientação, mas no caráter universal dos laços familiares. “A gente estava contando uma história tão humana, de relação familiar, que na verdade é uma história que poderia se passar em qualquer época”, afirmou.

Kim Sends



“Quando a gente está falando de família, quando a gente está falando de relação, a gente pode estar 100 anos atrás ou 100 anos lá na frente e essas coisas vão continuar sendo muito importantes.”

Emiliano confirmou que essa escolha foi deliberada. Segundo ele, a ideia era justamente evitar que o longa ficasse preso a um momento específico. “Foi uma escolha de focar o filme nesses elementos justamente para ele ser mais atemporal”, explicou. “Para que o filme tenha uma vida mais longa, a gente procurou não datar ele com determinadas tecnologias ou determinadas ações.”

O debate sobre a relação entre o antigo e o novo acabou se tornando um dos principais fios da coletiva. Em diferentes respostas, o elenco comentou o retorno do vinil, das fotografias impressas, dos DVDs e de outros suportes físicos que vêm sendo redescobertos por gerações mais jovens.

Rodrigo Ternevoy



Nesse contexto, O Velho Fusca foi apresentado como um filme que dialoga diretamente com essa vontade de recuperar experiências mais táteis, mais concretas e menos filtradas pela velocidade do digital.

Christian Malheiros resumiu essa ideia ao defender que o longa propõe uma espécie de resistência afetiva em meio à lógica acelerada do presente. “Uma das mensagens que a gente tenta passar no filme é que as relações humanas são analógicas e a gente não pode deixar a lógica digital contaminar elas completamente”, afirmou.

“A importância das relações humanas serem analógicas, por mais que a gente esteja partindo para esse mundo digital, maluco, com suas coisas boas e suas coisas ruins, o contato, a convivência ainda precisa ser analógica e cuidada com presença física e afeto.”

Diretor: Emiliano Ruschel



Cleo também abordou esse ponto ao comentar o valor da experiência sensorial e da convivência física. “Você segurar um CD, um DVD, entrar num carro antigo, você realmente ter essa experiência com algo que você pode tatear, é muito bom”, disse. “Ir lá visitar uma pessoa, tomar um cafezinho com aquela pessoa que você gosta, é outra experiência.”

Na mesma linha, a atriz refletiu sobre o papel desse retorno ao passado como gesto de conexão entre gerações. “Você tem acesso a esse mundo novo de muitas possibilidades da internet, mas também você tem que voltar uns passos atrás, senão as pessoas que você ama ficam para trás”, afirmou.

A trilha sonora também apareceu como um dos elementos centrais dessa costura entre tempos, referências e sensibilidades. Kim Sends, que participa do filme e também assina músicas da trilha, explicou que houve um cuidado especial para criar canções que dialogassem com a atmosfera do longa sem cair em soluções óbvias.

“A trilha sonora é feita original para o filme. São músicas inéditas feitas pro filme”, contou. “A gente ficou muito batendo cabeça para que as músicas fizessem sentido para a atmosfera do filme total, conseguir realmente amarrar.”

Elenco de O VELHO FUSCA



Ela destacou ainda que essa trilha também traduz o encontro de gerações proposto pela narrativa. “A gente tem Pericles, Paula Lima, Jorge Vercillo. São artistas muito consagrados também. Tem eu também, tem a Giovana. Então a gente também tem um encontro de gerações ali nas músicas.”

Outro tema forte da coletiva foi a construção dramática dos personagens, pensados a partir de contrastes muito claros. Emiliano explicou que o avô Tonico e o jovem Junior foram desenhados quase como opostos, justamente para que o vínculo entre eles ganhasse força ao longo do filme.

“O Junior é o contraponto”, disse o diretor, ao comentar o choque entre gerações representado pela dupla. Para ele, o filme trabalha de forma consciente com essas diferenças para mostrar transformação. “A relação dos dois vai mudando por conta do contraste. Tinha que ter esse contraste pra essa química realmente acontecer.”

Elenco de O VELHO FUSCA



Giovana Chaves observou que esse movimento de mudança não se restringe aos protagonistas. Segundo a atriz, o longa acompanha personagens que começam fechados e, aos poucos, vão se abrindo nas relações. “O filme traz muito essa construção dos personagens. No início o personagem está de um jeito e no decorrer do filme vai mudando e vai se conectando essas relações”, afirmou.

Já na parte final da coletiva, Emiliano voltou a enfatizar o que considera ser a principal força emocional do projeto: a vontade de provocar no público uma reaproximação com a própria família. “Quando a pessoa assistisse o filme, ela lembrasse da família e pensasse nisso e quem sabe ela fosse visitar a mãe dela, fosse visitar o pai dela, não fazer só uma videochamada”, disse.

Para o diretor, embora o Fusca seja o motor simbólico da trama, o filme vai além da nostalgia e chega a um lugar mais íntimo. “Eu acho que o filme, no final de tudo, fala sobre perdão. Ele fala sobre perdoar o próximo, a gente reconciliar, tentar entender o outro”, concluiu.

Com essa combinação de humor, sensibilidade e memória afetiva, O Velho Fusca se apresenta como um filme interessado menos na pressa do presente do que nos laços que sobrevivem ao tempo. Ao menos pelo que se viu na coletiva, a aposta da equipe é clara: transformar a história de um carro antigo em uma narrativa sobre presença, escuta e reconexão¨.

Fotos by Nicolau Satudi

19 de março nos cinemas.


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