Crítica by Raphael Ritchie: ¨O Mago do Kremlin se apresenta menos como um retrato histórico e mais como um mergulho silencioso dentro da engrenagem que fabrica a própria história, escolhendo observar não os acontecimentos, mas aquilo que os molda, os distorce e os transforma em narrativa consumível.
Há uma escolha clara de permanecer nos bastidores, onde decisões não aparecem como grandes gestos dramáticos, mas como cálculos frios, quase administrativos, que aos poucos reorganizam a percepção coletiva.
O protagonista funciona como esse operador invisível, um arquiteto de discursos que entende que, no mundo contemporâneo, controlar a história é menos sobre fatos e mais sobre como eles são apresentados.
Existe algo fascinante na forma como o filme constrói essa lógica, revelando a política como um campo onde linguagem e imagem têm o mesmo peso que ações concretas.
Ao mesmo tempo, essa abordagem mais cerebral se impõe com força, criando uma narrativa sustentada por diálogos densos e reflexões constantes sobre poder, influência e controle.
Esse excesso de explicação, porém, começa a cobrar seu preço. Em vários momentos, a sensação é de que o filme prefere explicar o mecanismo ao invés de nos fazer senti lo em funcionamento.
A experiência se torna mais didática do que dramática, como se estivéssemos diante de um estudo de caso detalhado, preciso, mas emocionalmente distante. A ambientação reforça essa frieza, com espaços institucionais e relações marcadas por uma contenção quase clínica.
Ainda assim, há uma coerência nesse distanciamento. Ao evitar o espetáculo, o filme reforça sua proposta analítica, convidando o espectador a observar, mais do que se envolver.
Isso, inevitavelmente, limita o impacto emocional, mas amplia o campo de reflexão, especialmente quando pensamos no papel da mídia e na forma como narrativas dominantes são construídas e aceitas.
Para um público acostumado a experiências mais imediatas, o ritmo e a duração exigem um certo compromisso. Não é um filme que se entrega facilmente, mas também não parece interessado em fazer isso.
Ele pede atenção, interesse prévio e uma disposição para acompanhar uma lógica menos intuitiva e mais contemplativa.
O Mago do Kremlin se apresenta menos como um retrato histórico e mais como um mergulho silencioso dentro da engrenagem que fabrica a própria história, escolhendo observar não os acontecimentos, mas aquilo que os molda, os distorce e os transforma em narrativa consumível.
Há uma escolha clara de permanecer nos bastidores, onde decisões não aparecem como grandes gestos dramáticos, mas como cálculos frios, quase administrativos, que aos poucos reorganizam a percepção coletiva.
O protagonista funciona como esse operador invisível, um arquiteto de discursos que entende que, no mundo contemporâneo, controlar a história é menos sobre fatos e mais sobre como eles são apresentados.
Existe algo fascinante na forma como o filme constrói essa lógica, revelando a política como um campo onde linguagem e imagem têm o mesmo peso que ações concretas.
Ao mesmo tempo, essa abordagem mais cerebral se impõe com força, criando uma narrativa sustentada por diálogos densos e reflexões constantes sobre poder, influência e controle.
Esse excesso de explicação, porém, começa a cobrar seu preço. Em vários momentos, a sensação é de que o filme prefere explicar o mecanismo ao invés de nos fazer senti lo em funcionamento.
A experiência se torna mais didática do que dramática, como se estivéssemos diante de um estudo de caso detalhado, preciso, mas emocionalmente distante.
A ambientação reforça essa frieza, com espaços institucionais e relações marcadas por uma contenção quase clínica.
Ainda assim, há uma coerência nesse distanciamento. Ao evitar o espetáculo, o filme reforça sua proposta analítica, convidando o espectador a observar, mais do que se envolver.
Isso, inevitavelmente, limita o impacto emocional, mas amplia o campo de reflexão, especialmente quando pensamos no papel da mídia e na forma como narrativas dominantes são construídas e aceitas.
Para um público acostumado a experiências mais imediatas, o ritmo e a duração exigem um certo compromisso. Não é um filme que se entrega facilmente, mas também não parece interessado em fazer isso.
Ele pede atenção, interesse prévio e uma disposição para acompanhar uma lógica menos intuitiva e mais contemplativa¨.
Ambientada na Rússia, no início dos anos 90, durante a queda da União Soviética, a obra mergulha no Kremlin, sede do governo russo e símbolo máximo do a força política do país, acompanhando os passos do jovem Vadim Baranov (Paul Dano) após se tornar o novo estrategista de comunicação do país em meio à ascensão de Vladimir Putin.
Baseada no romance homônimo escrito pelo autor franco-italiano Giuliano da Empoli, a produção, que conta em seu elenco com outros grandes nomes como a vencedora do Oscar, Alicia Vikander, Tom Sturridge e Jeffrey Wright, estreou no 82º Festival Internacional de Cinema de Veneza, onde foi indicada ao Leão de Ouro.
“Muito cedo, conheci Giuliano da Empoli e construímos uma amizade”, conta o diretor Oliver Assayas ao revelar que a adaptação da obra por suas mãos, em parceria com o roteirista Emmanuel Carrère, foi um pedido do próprio Empoli e completa contando um pouco sobre o processo:
“Precisávamos tomar liberdades: dar uma dimensão visual a cenas frequentemente estáticas e carregadas de diálogos; transmitir cinematograficamente a amplitude histórica que sustenta o romance; capturar a energia da época, os eventos decisivos, a grandiosidade dos cenários”.
Sinopse:
Após a queda da URSS, um artista genial se torna a mente sombria por trás do poder de Vladimir Putin. Vadim Baranov era produtor de TV, mestre em manipular percepções, até ser recrutado para o maior show do mundo: fabricar um líder.
Por anos operou nas sombras, moldando a imagem do homem mais temido do planeta. Um dia, o silêncio terminou e a verdade por trás do poder mais perigoso do mundo veio à tona.
O MAGO DO KREMLIN estreia em 09 de abril nos cinemas.



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