By Raphael Ritchie: ¨Reunidos em São Paulo, elenco e equipe de O Gênio do Crime apresentaram o filme em uma coletiva marcada por um equilíbrio entre memória afetiva e construção de um novo público, com falas que reforçaram tanto o peso geracional da obra quanto o desejo de atualizá-la para o presente.
Logo no início, o produtor Tiago Mello destacou a origem pessoal do projeto, lembrando que o livro “foi uma leitura da infância” e que enxergou ali “um lugar da aventura com comédia” capaz de dialogar com diferentes idades, enquanto o diretor Lipe Binder reforçou esse elo ao afirmar que também foi “marcado por esse livro na juventude”, descrevendo a adaptação como “um desafio lindo e muito inspirador” ao tentar conectar gerações distintas. 
Essa ponte entre passado e presente atravessou toda a coletiva. Binder explicou que o processo de adaptação exigiu mudanças estruturais, já que “o mundo mudou muito desde 1969”, incluindo transformações tecnológicas e comportamentais, mas ressaltou o esforço em “respeitar o espírito do João Carlos Marinho” e manter a essência da obra original.  Ao mesmo tempo, decisões narrativas foram tomadas para fortalecer o cinema como linguagem, como a ampliação da presença de Berenice e a criação de novos elementos dramáticos que não estavam no livro.
Entre os jovens atores, o contato com o material original apareceu como um processo de descoberta e reconstrução. Bella Alelaf comentou que buscou “pegar um pouquinho da essência dela do livro e trazer pros filmes”, enquanto Samuel Estevam destacou a tentativa de retratar o personagem “de uma forma mais atual”.  Já Breno Kaneto enfatizou a imersão intensa no material, afirmando que leu o livro repetidas vezes para compor o personagem, em um movimento que evidencia o cuidado em preservar traços reconhecíveis da obra.
Nos bastidores, a construção de grupo foi um dos pontos mais enfatizados. O elenco jovem passou por um mês de preparação conjunta, incluindo dinâmicas e exercícios de interação, o que, segundo eles, contribuiu para uma relação que “deixa as cenas num tom mais natural”, aproximando atuação e espontaneidade. 
Entre os atores mais experientes, a experiência foi descrita como um retorno a um olhar mais leve sobre o trabalho. Marcos Veras comentou que “voltou a ser criança” durante as filmagens, enquanto Douglas Silva destacou o compromisso do elenco jovem, chamando atenção para a disciplina e concentração no set.  Ambos reforçaram a troca entre gerações, com aprendizados que iam da técnica à escuta e ao respeito pelo tempo dos mais jovens.
A dimensão familiar do projeto também apareceu como eixo central. Para Veras, trata-se de “um filme pra família inteira”, com potencial de “formar público” e até “reaproximar da leitura”, especialmente com o relançamento do livro associado ao longa.  Essa intenção dialoga com a estratégia de produção, que buscou equilibrar um orçamento controlado com alto valor de produção, apostando na criatividade como principal ferramenta.
Ao final, a coletiva deixou clara uma ambição dupla: revisitar um clássico sem romper com sua identidade e, ao mesmo tempo, inseri-lo em um contexto contemporâneo capaz de dialogar com novas gerações. Nesse movimento, o filme se posiciona não apenas como adaptação, mas como um ponto de encontro entre diferentes momentos da cultura brasileira¨.
Ambientado na cidade de São Paulo, o filme acompanha a turma do Gordo, quatro amigos que se veem envolvidos em uma investigação surpreendente ao descobrirem uma sofisticada falsificação de uma figurinha rara do álbum da Copa do Mundo. O que começa como uma curiosidade logo se transforma em uma jornada cheia de mistério, aventura e bom humor, levando o grupo a enfrentar desafios e a desvendar um esquema engenhoso.
Com direção de Lipe Binder (“Betinho: No Fio da Navalha”, “Império”), roteiro de Ana Reber (“Depois do Universo”) e produção de Tiago Mello (“3%”), o longa é produzido pela Boutique Filmes, em coprodução com a Globo Filmes, e distribuído pela Paris Filmes. O elenco conta ainda com Ailton Graça, Marcos Veras, Douglas Silva e Rafael Losso.
O projeto foi realizado com recursos do Fomento Cult SP ProAC, programa do Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, e conta com apoio da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual e da Lei do Audiovisual.




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