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CRÍTICA: ECLIPSE

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Eclipse reúne ciência, ancestralidade e tecnologia dentro de um mesmo campo dramático, apostando na tensão que surge quando essas forças passam a coexistir sem se acomodar.




A trajetória de Cleo é atravessada por essa fricção constante, já que sua formação racional se vê progressivamente desestabilizada pela chegada de Nalu, cuja presença carrega não apenas um passado compartilhado, mas também uma dimensão simbólica que o filme prefere sugerir em vez de aprofundar.

É nessa relação entre as duas que o longa encontra sua pulsação mais consistente, sobretudo na maneira como memórias fragmentadas invadem o presente e corroem qualquer sensação de controle.



Existe uma instabilidade que se instala de forma silenciosa, alimentada tanto pelo que é revelado quanto pelo que permanece opaco, e isso sustenta uma atmosfera que se apoia mais na acumulação de tensões do que em resoluções claras.

As atuações acompanham esse movimento com precisão, especialmente na construção de uma protagonista que oscila entre contenção e ruptura, sem nunca se fixar completamente em um estado.

Ao mesmo tempo, a inserção da camada investigativa envolvendo o marido e o mergulho na deep web amplia o escopo da narrativa, mas não encontra o mesmo peso dramático, diluindo-se diante das questões mais íntimas que o filme já vinha articulando.




Essa dispersão reforça a sensação de um projeto que reúne ideias potentes, embora nem sempre consiga integrá-las de maneira orgânica.

A direção aposta em imagens que transitam entre o concreto e o simbólico, buscando traduzir visualmente esse estado de suspensão que domina a protagonista, ainda que essa proposta permaneça em um nível mais sugerido do que plenamente explorado.

O resultado é um filme que se sustenta por suas camadas e intenções, mas que revela certa dificuldade em fazer com que todas elas respirem dentro de um mesmo ritmo¨.




Se, como atriz, Djin Sganzerla deu vida a personagens provocativas e libertárias, como cineasta ela se dedica à investigação da experiência feminina.

Depois de examinar a dualidade que habita cada mulher em seu longa de estreia, Mulher Oceano, a diretora abraça um debate profundamente atual em ECLIPSE, que chega aos cinemas brasileiros em 7 de maio, ao expor a violência silenciosa que se esconde em comportamentos tóxicos.

A obra estreia nesta quinta-feira nas seguintes cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, João Pessoa, Ribeirão Preto, Florianópolis, Maceió, Curitiba, Porto Alegre e Brasília.




Enquanto Belo Horizonte, Salvador e Caxias do Sul recebem pré estreias especiais ainda nesta semana.

Produzido pela Mercúrio Produções, com co-distribuição da Pandora e patrocínio do BNDES e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, o longa nasceu após a cineasta tomar conhecimento de um caso real: o de uma mulher que descobriu que o próprio marido a difamava e ameaçava de morte em um fórum na internet.

A partir desse ponto, Djin imaginou o encontro entre uma astrônoma grávida e sua meia-irmã de origem indígena — um encontro que destrava memórias reprimidas e expõe camadas ocultas de relações abusivas, no passado e no presente. Do choque entre ciência e ancestralidade, emerge uma jornada marcada por intuição, investigação e transformação.



Protagonizado pela própria diretora, atriz com mais de duas décadas de carreira, o filme reúne ainda nomes conhecidos do público, como Sergio Guizé, que recentemente estrelou a novela Êta Mundo Melhor!, e Lian Gaia, da série DOM e da novela Vai na Fé.

ECLIPSE conta também com presenças fundamentais do cinema brasileiro, como Luís Melo, Selma Egrei, Clarisse Abujamra, Gilda Nomacce e a icônica Helena Ignez, mãe da diretora e uma das artistas mais revolucionárias do país.

“Ao tratar da relação entre mulheres e do convívio entre pessoas de diferentes origens, o filme Eclipse reflete questões essenciais para o Brasil de hoje.

O BNDES tem um compromisso permanente com diversidade e se alegra de apoiar produções com narrativas que refletem a pluralidade do Brasil”, comenta Marina Moreira Gama, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES.

O filme teve estreia mundial na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro passado, e seguiu para o San Diego Latino Film Festival, nos Estados Unidos, e o İstanbul International Spring Film Festival, na Turquia.

Agora, ao chegar ao circuito comercial, ECLIPSE convida um público mais amplo a refletir sobre como a violência contra a mulher — tão presente no noticiário — pode nascer de forma silenciosa em relações marcadas pela intimidade e pela confiança.

FICHA TÉCNICA
Direção: Djin Sganzerla
Roteiro: Djin Sganzerla e Vana Medeiros
Produção: Djin Sganzerla
Consultoria de Roteiro: Aleksei Abib
Contribuição no Roteiro: Marcos Arzua
Elenco: Djin Sganzerla, Sergio Guizé, Lian Gaia, Selma Egrei, Helena Ignez, Luís Melo, Clarisse Abujamra, Gilda Nomacce, Pedro Goifman e Julia Katharine
Direção de Fotografia: André Guerreiro Lopes
Direção de Arte e Figurino: João Marcos de Almeida
Montagem: Karen Akerman, edt e Karen Black, edt
Som: George Saldanha, ABC
Trilha Sonora Original: Gregory Slivar
Desenho de Som e Mixagem: Edson Secco
Produção Executiva: Vitor Cunha
Direção de Produção: Roberta Cunha
Direção de Elenco (Casting): Patricia Faria
Pós-Produção: Clandestino
Produção: Mercúrio Produções
Criação de Trailer: Movietrailer
Assessoria de Imprensa: Sinny Assessoria e Comunicação.

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