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CRÍTICA: DOLLY - A BONECA MALDITA

A fascinação do gênero de horror por figuras inanimadas e antropomórficas remonta a décadas de produções consolidadas no imaginário popular.



De Chucky, ícone transgressor do final dos anos 80, a fenômenos contemporâneos como Annabelle, M3GAN e o enigmático Brahms (Boneco do Mal), o subgênero dos "bonecos sinistros" foi submetido a uma exploração exaustiva pela indústria.

Nesse cenário, o lançamento de Dolly surge menos como uma inovação e mais como um sintoma do esgotamento criativo dessa temática em Hollywood.



Narrativa e Estética: Entre o Choque e a Lacuna

A trama acompanha a jovem Macy, que enfrenta uma luta desesperada pela sobrevivência após ser sequestrada por uma entidade monstruosa. O antagonista busca submetê-la a um simulacro de infância, forçando-a a assumir o papel de um bebê em uma dinâmica familiar perversa.

A partir dessa premissa, a obra mergulha em uma exploração da maternidade distorcida, utilizando-se de:

Violência Gráfica: Sequências que evocam a crueza estética do cinema de horror da década de 70.

Apelo Visceral: Passagens projetadas para provocar repulsa, cumprindo, tecnicamente, a função de um terror perturbador.




Desperdício de Potencial e Execução

O longa marca o retorno de Seann William Scott (American Pie), cujo personagem acaba vitimado pela ameaça central. Contudo, nem a presença de nomes conhecidos, nem a inclusão de cenas pós-créditos são suficientes para sustentar uma narrativa que carece de progressão.

O roteiro chega a ensaiar a construção de uma mitologia própria, mas a negligencia precocemente, resultando em lacunas que comprometem a compreensão e o engajamento do espectador.

Veredito: Com uma duração enxuta de 80 minutos, Dolly apresenta uma multiplicidade de conceitos, mas padece de uma direção hesitante.

Ao não definir seu escopo temático, a produção dilui suas intenções em um slasher genérico, falhando em converter sua simbologia latente em uma obra cinematográfica coesa.



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