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CRÍTICA: A DIVINA SARAH BERNHARDT

Crítica by Jhow Foster: ¨Se a intenção do diretor Guillaume Nicloux era capturar a essência magnética de uma das maiores lendas do teatro mundial, ele triunfou. "A Divina Sarah" é uma cinebiografia que foge das armadilhas do gênero — muitas vezes engessado e puramente acadêmico — para entregar uma obra vibrante, leve e profundamente apaixonante.




Ao final da sessão, é praticamente impossível não sair do cinema com um sorriso genuíno no rosto.​O grande coração do filme bate através de sua protagonista.

Dar vida a Sarah Bernhardt, uma mulher que era maior que a própria vida, exigia uma entrega absoluta, e a atriz principal entrega exatamente isso.

Ela consegue equilibrar a excentricidade pública de Sarah com suas vulnerabilidades privadas.​A transição entre os momentos de humor ácido e a melancolia dos bastidores é feita com uma naturalidade impressionante.​Você entende perfeitamente, através do olhar e da postura da atriz, por que o mundo inteiro se curvava diante daquela mulher.

É uma atuação memorável, digna de aplausos de pé.​Visualmente, o filme é um deleite. A direção de fotografia de Nicloux opta por uma paleta de cores rica, que evoca a opulência da Belle Époque, mas sem parecer artificial.​ Há um trabalho primoroso com a luz natural e a iluminação de velas/gás dos teatros da época, criando uma atmosfera aconchegante e dourada.




Cada frame parece uma pintura em movimento.​ A câmera passeia pelos detalhes dos cenários e figurinos suntuosos com elegância, transportando o espectador diretamente para o final do século XIX.​O roteiro acerta ao não tentar abraçar a vida inteira de Sarah Bernhardt de forma cronológica e apressada.

Em vez disso, foca nos momentos mais emblemáticos de sua jornada, destacando sua rebeldia, sua independência financeira e artística em um mundo dominado por homens, e sua paixão visceral pela arte.​ Mesmo lidando com os dramas reais, perdas e as pressões da fama, a narrativa nunca se entrega ao melodrama pesado.

O tom do filme é celebrado, focado na resiliência e no amor pela vida. O saldo final de "A Divina Sarah" é de extrema leveza.

Quando os créditos sobem, a sensação que fica é a de termos sido convidados para uma festa íntima nos bastidores da história. Nicloux entrega um filme redondinho, esteticamente impecável e com uma alma gigante.

É o tipo de cinema que revigora e nos deixa com um sorriso no rosto.¨.

Dirigido por Guillaume Nicloux e estrelado por Sandrine Kiberlain, “A Divina Sarah Bernhardt” chega aos cinemas brasileiros no dia 16 de julho com distribuição da Imovision.

Partindo de uma abordagem que une drama histórico e romance, o filme mergulha no universo extravagante da lendária atriz francesa, uma das mulheres mais famosas do mundo no final do século 19 e começo do século 20, sendo considerada a "primeira celebridade global”.

Ambientada na Paris de 1896, a trama acompanha Sarah Bernhardt no auge de sua glória como atriz e uma mulher à frente de seu tempo, sempre desafiando as convenções sociais.

Vencedora do César de Melhor Atriz por "Uma Juíza Sem Juízo”, Sandrine Kiberlain dá vida à personalidade irreverente de Bernhardt em um filme biográfico que retrata a incansável dedicação ao teatro da figura que ficou conhecida como "A Divina", bem como os sacrifícios corporais e emocionais que moldaram sua trajetória nos palcos.

O filme passa por episódios marcantes na vida da atriz, dentre eles a grande homenagem que recebeu em Paris, em 1896, e a amputação de sua perna direita, em 1915 — consequência da grave lesão que sofreu no joelho durante a apresentação final da ópera Tosca, no Rio de Janeiro, em 1905.

Na cena em que a protagonista saltava de um parapeito para a morte, falhas no posicionamento dos colchonetes de amortecimento causaram o acidente. Bernhardt esteve no Brasil em três ocasiões: a primeira ainda durante o reinado de D. Pedro II; depois, para promover uma massiva internacionalização das produções francesas; e, por último, sua última e mais dramática turnê.

O longa explora ainda o relacionamento amoroso da atriz com o ator Lucien Guitry, interpretado por Laurent Lafitte — ator que ganhou notoriedade internacional por seu trabalho em “Elle”, de Paul Verhoeven —, além de sua visão progressista sobre o mundo e o encontro com diversas figuras importantes da época, como Alexandre Dumas, Victor Hugo, Sigmund Freud e Émile Zola.

Adepta do amor livre, Sarah Bernhardt se entregou plenamente à vida e aos palcos, guiada pela convicção de que a existência só valia a pena se vivida em sua máxima intensidade; do contrário, seria o mesmo que estar morta.

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