Post Page Ads

Post Page Top Ads

CRÍTICA: INSACIÁVEL

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Uma estudante de medicina transforma a própria rotina em um ritual de autodestruição ao decidir recorrer a pílulas para emagrecer que prometem resultados milagrosos, alimentando uma obsessão crescente pelo controle do próprio corpo.




A partir dessa espiral, a narrativa aproxima o horror físico de uma discussão bastante atual sobre padrões estéticos, culto à magreza e a indústria que prospera explorando inseguranças, escolhendo um caminho que desperta curiosidade desde os primeiros minutos.


A revelação de que os comprimidos escondem um segredo macabro oferece uma ideia imediatamente chamativa, mas Insaciável demora pouco para desperdiçar esse potencial.

Hana se torna uma personagem consumida pela necessidade de alcançar um ideal impossível, permitindo que sua deterioração física acompanhe a perda gradual de qualquer equilíbrio emocional, embora o roteiro trate esse processo com uma insistência tão literal que a metáfora rapidamente deixa de evoluir.




O fato de ela ser estudante de medicina ainda sugere conflitos interessantes envolvendo conhecimento, ética e responsabilidade, mas esse aspecto permanece praticamente decorativo ao longo da narrativa.

O body horror aparece como instrumento para materializar medos relacionados à aparência, à autoestima e aos transtornos alimentares, porém a encenação prefere recorrer ao exagero constante em vez de desenvolver essas ideias com maior complexidade.

A comparação com A Substância acaba surgindo naturalmente, já que ambos utilizam a degradação física para discutir a busca por um corpo ideal, embora aqui a crítica seja muito mais evidente e infinitamente menos elaborada.




Em vez de aprofundar a relação entre consumo, beleza e autodestruição, a história acumula situações tão absurdas que o desconforto frequentemente dá lugar ao riso involuntário.

Algumas imagens conseguem provocar repulsa e demonstram certo cuidado da direção de arte ao contrastar ambientes clínicos com o horror escondido por trás das pílulas, mas esses momentos aparecem isolados dentro de um roteiro incapaz de sustentar o mesmo interesse.

A crítica à indústria da aparência permanece superficial, repetindo a mesma ideia até esvaziá la completamente, transformando uma discussão relevante em um exercício de exagero sem impacto duradouro¨.




Rosto conhecido dos fãs de “Grey’s Anatomy” e “A Vida Sexual das Universitárias”, a atriz Midori Francis está prestes a lançar nos cinemas uma história verdadeiramente sinistra.

Em INSACIÁVEL ("Saccharine"), ela interpreta Hana, uma jovem que decide começar um programa extremo de emagrecimento à base de pílulas.

Só há um porém: esses remédios são produzidos a partir de cinzas humanas. Disposta a relevar este fato para alcançar o corpo que julga ideal, Hana vê sua obsessão por emagrecer se transformar em um pesadelo macabro, com consequências irreversíveis.

Esta é uma ideia original da cineasta australiana Natalie Erika James ("Relíquia Macabra"), que se destacou no Festival de Sundance deste ano.

Com distribuição da Diamond Films, o longa estreia nacionalmente em 6 de agosto, conduzindo o espectador a uma nova experiência nas telonas de beauty horror, isto é, o body horror como metáfora para ilustrar como as pressões estéticas podem ser violentas e aterrorizantes.

“Meu objetivo com o filme era colocar o público na experiência subjetiva de alguém que está lidando com um distúrbio alimentar e com uma relação turbulenta com a comida”, explica a cineasta à Variety.

Não por acaso ela fez questão de representar em tela tanto a recompensa instantânea de comer, quanto o lado mais doloroso e grotesco desta experiência. A vontade dela com isso era uma só: “fazer com que as pessoas se sintam vistas e menos sozinhas.”




“Tenho certeza de que teremos muitas discussões, principalmente neste momento com a glamourização da magreza extrema. O filme evidencia como a cultura da dieta e o estigma sobre o peso são parte da nossa cultura. É um problema real e isso precisa mudar”, afirma.

O resultado é um filme agoniante, que se apoia no gore não só para retratar as turbulências internas da sua protagonista, mas também para criar uma verdadeira experiência cinematográfica, com visão artística e, claro, muitos sustos.

Distribuído pela Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina, o filme chega aos cinemas de todo o Brasil em 6 de agosto.



Postar um comentário

0 Comentários