A trama acompanha Fernando (Manolo Solo), um professor de Geografia devastado pelo desaparecimento repentino de sua esposa. Em busca de fuga e sentido, ele assume a identidade de outro homem e aceita um trabalho como jardineiro em uma propriedade rural no norte de Portugal. Lá, desenvolve uma relação peculiar e sutil com a proprietária da casa, Amália (Maria de Medeiros).
Manolo Solo entrega uma interpretação sutil e melancólica do protagonista, transmitindo o luto e a sensação de deslocamento sem recorrer ao melodrama. A química tranquila com Maria de Medeiros adiciona camadas de humanidade e afeto à narrativa.
Com sua formação em arquitetura, Avelina Prat demonstra um olhar apurado para a geometria das cenas, a luz natural e a integração entre as personagens e o espaço da quinta portuguesa (filmada em paisagens de Esposende e Ponte de Lima).
O filme aborda com sensibilidade temas como o desejo de reinventar a própria vida, o anonimato como refúgio e o acolhimento que surge do silêncio e das pequenas rotinas diárias.
A ambientação sonora valoriza os barulhos da natureza, o vento e os trabalhos no jardim, criando uma atmosfera imersiva e relaxante.
O ritmo propositalmente lento e contemplativo foca muito no cotidiano e em gestos mínimos, o que pode parecer monótono ou cansativo para espectadores que buscam dinâmicas narrativas mais tradicionais.
A narrativa opta pelo tom contido do início ao fim, evitando grandes reviravoltas ou confrontos emocionais diretos, o que pode deixar a sensação de que o filme patina na superfície de seu conflito principal.
Alguns personagens secundários que surgem ao longo da estadia de Fernando ficam em segundo plano e poderiam ter sido mais aprofundados para enriquecer a dinâmica social ao redor da quinta.
O filme se destaca como um estudo de personagem delicado e elegante. Embora falte alguma tensão dramática para tornar o desfecho verdadeiramente marcante, é uma obra recomendada para quem aprecia o cinema autoral europeu focado na atmosfera, no espaço e no silêncio dos sentimentos não ditos¨.
Com estreia marcada para 20 de agosto, A
Quinta Portuguesa chega aos cinemas brasileiros com distribuição
da Kajá Filmes. O longa reúne um elenco de destaque e apresenta ao público
brasileiro uma das últimas atuações de Manolo Solo que, ao lado da atriz e
cineasta portuguesa Maria de Medeiros (Pulp Fiction, Capitães
de Abril), teve sua estreia mundial na Seção Oficial do Festival de Málaga,
integrou a programação do BAFICI, em Buenos Aires e foi exibido no Festival do
Rio.
Na trama, o desaparecimento de sua esposa deixa Fernando, um
pacato professor de Geografia, completamente devastado. Sem rumo, ele assume a
identidade de outro homem e passa a trabalhar como jardineiro em uma
quinta portuguesa, onde desenvolve uma amizade inesperada com a dona da
casa — dando início a uma nova vida que não lhe pertence.
Para contar a história de Fernando, o roteiro parte de
algumas perguntas: O que determina nossa identidade? O lugar onde crescemos,
onde vivemos, nossos costumes, experiências e desejos? Essa identidade é única
e imutável ou continuamos sendo a mesma pessoa quando mudamos radicalmente de
contexto?
Para Avelina Prat, um dos pilares da identidade é o lugar,
entendido não apenas em sua dimensão geográfica, mas como o conjunto de
elementos e pessoas que o habitam. “O lugar como aquilo que dá forma a uma
vida. O lugar como lar”, afirma a diretora. Ao assumirem vidas que não são
suas, os personagens do filme paradoxalmente encontram um caminho para
construir uma realidade própria.
Com um tom literário que evoca autores como Enrique
Vila-Matas e Robert Walser, o filme conduz protagonista e espectador por uma
constante sensação de estranhamento e deslocamento. A história se passa no
presente, mas carrega o sabor de outra época, dividida entre dois cenários: uma
cidade espanhola e o interior de Portugal.
A diretora
Avelina Prat é roteirista e diretora radicada na
Espanha. Formada em Arquitetura, dirigiu seu primeiro longa-metragem, Vasil (2022),
coprodução entre Espanha e Bulgária que estreou no Festival Internacional de
Cinema de Varsóvia e rendeu o prêmio de Melhor Ator no Festival Internacional
de Cinema de Valladolid (SEMINCI). No campo do curta-metragem, destacou-se
com 3/105, que teve estreia mundial na seção Orizzonti da Bienal de
Veneza.
Elenco principal
Manolo Solo — Fernando. Consolidou sua carreira
ao conquistar o Prêmio Goya de Melhor Ator Coadjuvante por Tarde para
la ira, de Raúl Arévalo. Sua filmografia inclui El buen patrón,
de Fernando León de Aranoa, vencedor de Melhor Comédia Europeia no European
Film Awards, além de quatro prêmios consecutivos da União de Atores e Atrizes
da Espanha. Recentemente protagonizou Cerrar los ojos, de Víctor
Erice, com estreia em Cannes e indicação ao Goya de Melhor Ator.
Maria de Medeiros — Amália. Iniciou a carreira
no teatro em 1982 e estreou no cinema com Paris vu par... vingt ans
après (1984). Chegou ao cinema espanhol em Huevos de oro,
de Bigas Luna (1993), premiado no Festival de San Sebastián, e no ano seguinte
projetou-se internacionalmente em Pulp Fiction (1994), de
Quentin Tarantino. Artista de trajetória multifacetada, dirigiu o longa Capitães
de Abril (2000) e lançou o álbum A Little More Blue (2007).
O elenco conta ainda com Branka Katić e Rita
Cabaço.
Ficha técnica
2025 | Portugal, Espanha | Drama | 114 min.
Direção e roteiro: Avelina Prat,
Elenco: Manolo Solo, Maria de Medeiros, Branka Katić, Rita Cabaço,
Direção de fotografia: Santiago Racaj,
Montagem: Juliana Montañés, Trilha sonora original: Vincent Barrière,
Designer de produção: Artur Pinheiro,
Som: Nora Haddad,
Designer de som: Iván Martínez-Rufat,
Direção de elenco: Irene Roqué, Raquel Da Silva,
Figurino: Giovanna Ribes,
Cabelo e maquiagem: Esther Guillem,
Produtores: Miriam Porté, Luís Urbano, Miguel Molina, Adán Aliaga,
Produção executiva: Goretti Pagès, Patrícia Almeida,
Produtoras: Distinto Films, Jaibo Films, O Som e a Fúria, Almendros Blancos AIE,
Distribuição
no Brasil: Kajá Filmes
Estreia no Brasil: 20 de agosto de 2026
Sinopse
O desaparecimento de sua esposa deixa Fernando, um pacato
professor de Geografia, completamente devastado. Sem rumo, ele assume a
identidade de outro homem e passa a trabalhar como jardineiro em uma
quinta portuguesa onde desenvolve uma amizade inesperada com a dona
da casa, dando início a uma nova vida que não lhe pertence.









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